O Servidor Público não tem nada para comemorar no seu dia. Como já vem acontecendo ano após ano, o salário tem sido corroído pelos já indisfarçáveis índices da inflação. Todas as categorias do Serviço Público tem sofrido com o descaso dos governantes que ocupam e ocuparam a cadeira mais importante do terceiro andar do Palácio do Planalto. Tem sido assim. É natural, pois trata-se de uma relação entre patrão e empregados.
E o que falar dos servidores da Polícia Federal? Não é de hoje que – em campanha – os governantes elegem a Segurança como prioridade e a melhora da instituição uma unanimidade. Apregoam que pretendem transformar a Polícia Federal em um FBI, com a estrutura da Scotland Yard e outros delírios, mas – como se tem visto – a Segurança é prioridade apenas em palavras eleitoreiras.
Pesquisas recentes apontam a Polícia Federal – ao lado do Exército – como a instituição que passa mais credibilidade ao povo brasileiro. No entanto, a falta de recursos e as restrições aos reajustes salariais alegadas pelos governantes estão longe de ter a importância que atribuem aos servidores da Polícia Federal.
Internamente vivemos momentos de muita tensão, face ao descaso com que a Direção-geral tem tratado as questões de interesse dos servidores não delegados. O latente corporativismo tem minado a paz e o companheirismo dentro da instituição. A omissão e o desprezo – erros graves na condução da política interna – estão conduzindo os integrantes da carreira Policial Federal a uma guerra fraticida de proporções inimagináveis.
A Administração da Polícia Federal mantém ouvidos abertos para os interesses corporativistas de apenas uma categoria, em detrimento dos interesses da imensa maioria que carrega nas costas o interesse público e a vontade de bem servir, apesar das precárias condições de trabalho, notadamente nas regiões de fronteiras. Dessa forma, noticiam-se com muita constância denúncias de remoções privilegiadas, viagens estapafúrdias e outras “promoções” administrativas naquilo que parece ser uma ação entre amigos.
Avizinham-se momentos de grande tensão interna. É cada vez maior o grau de descontentamento dos servidores, porquanto lutam por estarem insatisfeitos com o tratamento de desprezo que vem recebendo do governo federal e pela omissão da Direção-geral da Polícia Federal. Não há mais como ocultar os sinais de degradação nas condições de vida, gerados pela corrosão salarial nos últimos seis anos. Não há mais como disfarçar o descontentamento com as deficitárias condições de trabalho e à ditadura administrativa que deseja prosperar com ações de terrorismo funcional e ameaças. Isto é preocupante. Muito preocupante.
Portanto, nada temos para comemorar. Se há algo a celebrar, todavia, é o fato de que a consciência dos servidores pela luta em defesa dos seus direitos tem aumentado em proporções assustadoras. Todos estão vendo a necessidade de – num momento próximo – agir para defender seus salários e as condições de trabalho, que permitam oferecer segurança de qualidade para todos os brasileiros.
Fonte: Agência Sindipol/DF






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