Não é novidade para ninguém a falta de segurança nas fronteiras do país. Com orçamento apertado, falta de equipamento e de policiais a contenção ao crime é feita de forma precária e só acontece em razão do esforço dos policiais que atuam nestas regiões.
Uma das últimas iniciativas do governo federal em parceria com o Departamento de Polícia Federal foi a deflagração da Operação Sentinela. A operação é um esforço conjunto da Polícia Federal, Polícia Rodoviária federal, Exército, Polícia Militar (Força Nacional) e Receita Federal, mas, que na prática, não funciona.
Com a coordenação da Polícia Federal, a Operação Sentinela vive, muitas vezes, de números e estatísticas que já eram produzidos pela ação da PF nas regiões de fronteira. Ou seja, a Sentinela não trouxe nenhuma nova iniciativa que aumentasse a eficácia no combate ao crime.
Em Foz do Iguaçu, por exemplo, algumas apreensões feitas pelos colegas da delegacia são colocadas na conta da Sentinela como se antes da existência da operação aqueles colegas já não desenvolvessem o mesmo trabalho com excelentes resultados.
Mas o problema não está só aí. O que deveria ser uma operação conjunta com a coordenação da Polícia Federal mostra-se uma ação fragmentada onde cada força não se julga subordinada a outra. Os policiais militares da Força Nacional de Segurança, só para citar um exemplo, depois de um curso relâmpago na Academia Nacional de Polícia, não se subordinam à Polícia Federal por ser esta uma instituição civil.
A Polícia Militar (FN) é a mais bem aparelhada em termos de armamento, viaturas, coletes, fardamento e outros aparelhos. “Ao invés desses policiais militares serem mantidos em seus estados promovendo o enfretamento qualificado ao crime, eles são enviados para regiões das quais pouco ou nada conhecem”, diz o diretor de relações do Trabalho da Fenapef, Francisco Sabino. Sabino destaca que muitas vezes esses policiais são utilizados em tarefas como escolta de presos e outras funções que qualquer um poderia fazer. “Por ser uma força que custa caro contribuinte, a Polícia Militar (FN) deveria ser melhor empregada em seus estados de origem”.
AMAZÔNIA – A região Amazônica é um exemplo pronto e acabado da pouca eficiência da Operação Sentinela. Antes de sua criação, a PF mantinha operações na região que do ponto de vista da segurança pública eram muito mais eficazes. “Operação Pebra”, “Operação Vebra”, “Operação Cobra” e “Operação Brabo”, só para citar estas quatro, contemplavam ações em toda a fronteira terrestre da região. As operações garantiam também maior presença de efetivo da PF e mais recursos para o combate ao crime organizado.
Por iniciativa do ex-diretor-geral Luiz Fernando Corrêa as operação da PF na região foram desmontadas e a Sentinela criada. “A Sentinela é muito mais uma ação de marketing do que uma operação policial”, diz o diretor de Relações do Trabalho da Fenapef.
Qualquer policial sabe que a atuação nas fronteiras no combate ao crime passa por ações fortes de inteligência, operações permanentes e integração entre as polícias dos países vizinhos. O deslocamento de policiais militares (FN) ou outros operadores da segurança para estas regiões sem qualquer planejamento é dinheiro jogado fora ou turismo.
A Federação Nacional dos Policiais Federais encaminhou nesta quinta-feira, 2, um dossiê sobre a atuação da Sentinela nas fronteiras do Brasil. O documento, entregue ao senador Sérgio Petecão (PMN-AC), reforça a necessidade de fortalecimento do efetivo da Polícia Federal e um novo modelo de combate ao crime nas fronteiras.
Na próxima semana o documento deve chegar às mãos de senadores e deputados federais ligados ao debate da segurança pública. “Com isso queremos ampliar este debate e buscar soluções para o fortalecimento da Polícia Federal e seu papel constitucional nas fronteiras do país”, diz o presidente da Federação, Marcos Vinício Wink.
Fonte: Agência Fenapef






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