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mar 15

O NOVO CANGAÇO – Jornal do Brasil

  • 15 de março de 2010
  • Notícias

O confronto que resultou em sete mortos, em frente a uma agência do Bradesco, na pequena cidade de Santa Luzia do Paruá, no dia dois demarço, no Maranhão, revelou mudanças no perfil dos assaltos a banco: as quadrilhas estão dirigindo suas ações para pequenas cidades, mas a polícia, com respaldo do governo federal, está reagindo com rigor para evitar que bandos se transformem em grandes organizações criminosas.  

A Polícia Federal decidiu utilizar o que tem de melhor em inteligência, planejamento e ação tática para brecar o avanço dos assaltos a banco no interior do país. Em Santa Luzia do Paruá, quem assumiu a linha de frente foi o Comando de Operações Táticas (COT), a mais bem treinada tropa de elite do país, que só entra em ação quando a operação envolve alto risco. Era o caso do roubo no Maranhão.  

Cercados em frente à agência, os criminosos responderam à bala o cerco. E perderam. Nos 15 minutos de tiroteio, seis deles foram mortos na hora, um saiu ferido e três, que se renderam, foram presos. Um funcionário do banco, baleado pelos assaltantes, morreu. Foi o maior número de mortos numa ação do COT, cuja sede fica em Brasília, no Setor Policial Sul, a poucos metros da cela onde está preso o governador José Roberto Arruda. Três dias depois, em Alagoa Nova (PB), uma tentativa de assalto à agência do Banco do Brasil terminou com mais seis mortos, quatro na ação e outros dois, no dia seguinte, ao reagirem, num matagal próximo da cidade.  

Foram a penas mais dois episódios dentro de um novo fenômeno da criminalidade no Nordeste que a Polícia Federal já chama de novo cangaço. As quadrilhas escolhem uma cidade pequena e, em dias de pagamento de benefícios federais, dominam os poucos policiais e tomam a localidade para limpar a única agência bancária.  

Portando armamento pesado,como fuzis e pistolas de grosso calibre, antes e depois do assalto,assustam a população com rajadas ou matando quem oferecer a menor resistência, uma versão moderna do estilo empregado na século passado,entre as décadas de 20 e 30, pelo lendário Virgulino Ferreira da Silva,o Lampião, o Rei do Cangaço que semeava o terror pelo sertão nordestino.  

A diferença é que agora a Polícia Federal, ao contrário das antigas volantes como eram chamadas as forças de segurança da época ,passou a tratar esses crimes como um problema federal. A violência empregada pelos grupos e o pânico gerado em comunidades pobres comoveram o governo do pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva. A PF então criou uma divisão de repressão aos crimes contra o patrimônio,sediada em Brasília, que coordena todas as ações. Os passos dos criminosos são mapeados e os telefones grampeados com autorização judicial. Os bandos agem em vários estados, o que caracteriza o crime interestadual, cujo combate é atribuição da PF.  

Quando não consegue prender os criminosos antes do assalto, os policiais agem no momento em que eles chegam à agência. Com mobilidade para chegar em qualquer lugar do país em três horas e meia, os homens do COT estão sempre à espera da quadrilha e usam o fator surpresa para tentar as prisões. Quando os bandidos reagem ou a vida de reféns está em risco, entram em ação os atiradores de precisão os chamados snipers, sempre bem posicionados e os homens de linha de frente, com armas mais potentes que as dos criminosos e protegidos pelos coletes, visor e escudos à prova de bala.

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