Leandro Fortes
Construído às margens de uma movimentada via da Asa Norte de Brasília, o estande de vendas do Grupo Paulo Octávio ergue-se como- uma espécie de catedral pagã do culto à espe-culação imobiliária na capital da República. Lá o ex-governador interino do Distrito Federal toca a sua vida empresarial desde a sua renúncia em 23 de fevereiro. Ainda segue, contudo, temeroso de acabar no xilindró como José Roberto Arruda, governador atualmente recolhido em instalações infinitamente menos nababescas na Polícia Federal. PO, como o empresário é conhecido em Brasília, parece cada vez mais como a bola da vez da Operação Caixa de Pandora.
A investigação da PF, tocada em parceria com o Ministério Público Federal, está a ponto de fazer uma inflexão nos trabalhos, até então focados em contratos fraudulentos de prestação de serviço denunciados pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa em depoimentos e nos vídeos de recebimento de propina. Por conta de uma informação de Barbosa, acompanhada de uma enxurrada de evidências, policiais e procuradores se voltaram para a farra de terras – e dinheiro – que desembocou na aprovação, em 17 de março de 2009, do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) do Distrito Federal. Tertúlia à qual nem Daniel Dantas, dono do Opportunity, com sua extraordinária capacidade de frequentar as mais notórias maracutaias da República, deixou de comparecer.
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