As equipes policiais procuram escuta e interceptação clandestina
Carlos Eduardo de Moura e Irene Oliveira
O presidente da Câmara Legislativa, deputado Wilson Lima (PR), solicitou ontem a varredura técnica nos gabinetes para verificar se há instalação de “grampos”. O pedido foi encaminhado ao diretor da Polícia Civil, Pedro Cardoso, em resposta ao requerimento do deputado Paulo Tadeu, líder do PT.
Wilson Lima pediu aos parlamentares, durante a sessão de ontem, que disponibilizassem seus gabinetes para a Polícia Civil que começaria o trabalho às 19h. “Quero pedir que os deputados ou seus chefes de gabinete acompanhem os agentes para que não haja nenhuma suspeição quanto ao trabalho”, recomendou.
Para o deputado Dr. Charles (PTB), um grampo clandestino numa casa que representa o cidadão é um grande desrespeito. “Devemos repudiar veementemente essa ação. Nem nos tempos mais difíceis de cerceamento das liberdades do povo brasileiro se viu algo assim”, avalia.
O deputado Benedito Domingos assegura que não está envolvido no episódio. Segundo ele, o servidor preso, recém contratado, já estava sendo exonerado. “Ele me disse que estava com os dois policiais de Goiás porque eles estavam lhe cobrando um cheque sem fundos, dado em pagamento por serviços de filmagem em uma creche”, afirmou. “Mas é preciso confirmar essa versão e colocar tudo em pratos limpos”, defendeu Benedito. “Jamais aceitaria a pecha de araponga”.
Polícia em ação
A varredura começou por volta das 19h30 e, segundo o coordenador, da operação, delegado Fábio Santos de Souza, diretor adjunto da Divisão de Inteligência Policial (DIPO), quatro equipes da Polícia Civil (PC) e agentes do Instituto de Criminalística (IC) estão imbuídos no trabalho “Estamos em busca de escuta ambiental e interceptação clandestina (grampo). Para isso, vamos utilizar equipamentos de contra inteligência. Os 24 gabinetes da Casa além da presidência, vice-presidência e secretarias serão vistoriados”, declarou ontem, antes do início dos trabalhos. O delegado afirmou ainda que a inspeção em cada gabinete leva de duas a três horas. “Hoje (ontem) vamos virar a noite” estimou. Souza não soube precisar quanto tempo será necessário para que se conclua o trabalho.
Somente foram autorizados a acompanhar a varredura um servidor da segurança da Câmara e um servidor indicado pelo deputado que ocupa o gabinete vistoriado. Os primeiros locais a serem vistoriados foram os dos deputados que solicitaram pelo trabalho de varredura. Os gabinetes serão liberados para o trabalho à medida em que a varredura for concluída. “Só sairemos daqui quando encerrarmos o trabalho”, finalizou Souza.
Falta de nomes causa debate
Os ânimos dos deputados presentes na sessão de ontem ficaram exaltados. Isso se deu pela falta de indicações de dois membros da CPI da Codeplan, que investiga as denúncias de corrupção no governo. A CPI foi ontem ao STJ com apenas três integrantes.
Um dos problemas que afetou o desenrolar da CPI, segundo o deputado Benedito Domingos (PP), foi a interpretação de que os deputados citados na Operação Caixa de Pandora não poderiam participar da Comissão. “Acredito que a proibição judicial era apenas para a CCJ e Comissão Especial”, defendeu. “O ideal é que todos os 24 deputados pudessem participar da CPI”, afirma.
O deputado Raimundo Ribeiro (PSDB) afirmou que um dos entraves da CPI “é a partidarização deste processo” feita por alguns distritais e rebateu o que definiu como críticas generalizadas feitas por oposicionistas. Ele ressaltou que não aceita a pecha de ser “teleguiado” pelo Buriti.
Para a deputada Jaqueline Roriz, o que está faltando é “pragmatismo” à Câmara Legislativa. “O País inteiro está nos vigiando”, alertou.






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