POR CLAUDIO JULIO TOGNOLLI
Apesar do grande número de prisões e atividades afins, o impacto mais positivo da Polícia Federal na vida do país não aparece nas estatísticas. O intenso noticiário sobre investidas policiais nos endereços mais improváveis e, antes, protegidos da República, incentivou a regularização de negócios, a queda vertiginosa da sonegação e uma era absolutamente inédita de zelo fiscal. Talvez seja precipitado falar em fim da impunidade (afinal, quem fiscaliza o fiscal?), mas nunca antes na história deste país se chegou tão perto disso.
A Polícia Federal divulgou no final da tarde desta terça-feira (21/12) o balanço de suas atividades em 2009: foram feitas 43 ações que a PF chama de “operações especiais”. Também foram realizadas, até o dia 15 de dezembro, ações contra crimes relacionados ao tráfico de drogas (72), crimes cibernéticos (10), previdenciários (27), ambientais (20) e contrabando (17). Ao todo foram 281 operações, com 2,6 mil presos.
Em entrevista coletiva para apresentação do balanço anual da Polícia Federal, o ministro da Justiça, Tarso Genro, declarou que o trabalho de combate à corrupção desenvolvido pela instituição será intensificado: “As ações vão aumentar no próximo ano porque a PF está preparada para combater esses crimes. Tudo isso pode ser demonstrado na qualidade cada vez maior dos inquéritos e no número de prisões preventivas que vem crescendo”.
Tarso Genro lembrou ainda que, embora haja uma sensação de aumento da corrupção no país, o que na verdade aumentou foi a descoberta desse tipo de crimes. “Durante muito tempo a corrupção no Brasil esteve debaixo do tapete e não aparecia. Quanto mais ela é combatida mais ela aparece. Isso é bom para o país, bom para as pessoas honestas, bom para o Estado brasileiro e é bom para toda a sociedade” disse.
O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse que a corrupção é uma atividade criminosa comportamental e com baixa materialidade. Na ocasião, ele defendeu o uso de escutas telefônicas para o combate ao crime, embora não deva ser permitida a banalização desse mecanismo.
Relatório divulgado pela PF detalha que dos 4.534 mandados de prisão cumpridos ao longo do ano 75% foram na modalidade preventiva (3.392 prisões). “Para a decretação da prisão preventiva há uma série de critérios de avaliação obrigatória do magistrado, mais rigorosos que os da prisão temporária, o que demonstra o aperfeiçoamento da prova obtida na fase de investigação”, relata a PF.
Ainda segundo os federais, o fortalecimento da Corregedoria, com foco na celeridade e qualidade do inquérito, permitiu um aumento histórico na relação entre inquéritos instaurados e relatados. “Entre os anos de 2005 e 2008, a média nessa relação foi de 65%. Em 2009, a média passou para 94% (71.372 instaurados x 67.012 relatados). A meta é elevar essa relação para 120% de modo a liquidar com o passivo de inquéritos em andamento”, afirma o relatório.






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