Utilizar as artes marciais para aumentar a autoestima dos jovens e ao mesmo tempo fazê-los fugir do culto à violência e do apelo ao uso de drogas. Estes são os objetivos do projeto Geração Careta, desenvolvido pelo agente da Polícia Federal Sandro Araújo, de 39 anos. Através das técnicas usadas em lutas como o Kombato, Kali Silat e o Muay Thai, ele percebeu que é possível alterar a realidade social de adolescentes de diferentes comunidades de Niterói.
Criado em 2003, o projeto se resumia, inicialmente, a palestras sobre a prevenção ao uso de drogas, ministradas pelos agentes federais em escolas particulares do município. Entretanto, Sandro sentiu a necessidade de associar o discurso das salas de aula a algum esporte capaz de gerar disciplina, respeito e autoconfiança. Há 14 anos na Polícia Federal – cinco deles dedicados à instrução de técnicas de defesa pessoal aos agentes da instituição –, ele resolveu utilizar as artes marciais para oferecer uma nova alternativa a estudantes de 15 a 19 anos de idade.
“No início, enfrentamos diversas restrições por parte da direção das escolas públicas, pois havia o medo de retaliação de traficantes por desenvolvermos um projeto de conscientização e prevenção ao uso de drogas nessas instituições de ensino”, lembrou o agente.
Mas o policial conseguiu o apoio do subsecretário de Estado da Região Metropolitana, Alexandre Felipe, que abriu as portas das escolas públicas para a realização das palestras educativas, e da iniciativa privada, que doou 30 tatames e disponibilizou o Estádio do Caio Martins para a concretização da atividade esportiva. Desde novembro do ano passado, cerca de 30 jovens participam do projeto, a maioria deles estudantes de escolas públicas de Niterói.
“A intenção não é formar atletas para a disputa de competições, mas formar personalidades e mudar a postura desses jovens com relação ao contexto social no qual estão inseridos. O esporte é capaz disso”, explicou Sandro.
Chance de virar atleta profissional
A habilidade natural de alguns alunos, entretanto, acabou despertando a atenção do policial, que pretende, inclusive, encaminhá-los a grandes academias de luta com direito a bolsa integral. É o caso de Amanda da Silva Rosa, de 19 anos, moradora do Cubango. Há dois meses no projeto, a jovem surpreendeu com seus chutes coordenados. A disciplina da estudante nos treinos também chamou a atenção dos professores.
“Antes de começar a treinar, eu era uma pessoa muito nervosa e agitada. A luta me deu autocontrole e confiança para enfrentar situações difíceis na vida. Hoje, penso até em me tornar uma atleta profissional e participar de competições”, comentou.
De graça – As aulas do projeto Geração Careta são gratuitas e acontecem todas as quintas-feiras, às 17 horas, no Estádio Caio Martins, no Jardim Icaraí. Não é necessário efetuar inscrição para participar da atividade esportiva, mas os jovens devem estar em dia com as notas escolares e com a disciplina na sala de aula.
“Essas são as exigências básicas. Vamos estar em contato com os professores desses jovens para saber como eles estão se comportando na escola. Em casos de indisciplina e boletins abaixo da média, os alunos podem ser suspensos até que se recuperem”, advertiu o policial.
“Acredito no que faço e acho que posso contribuir muito para a sociedade com esse trabalho. Minha visão de segurança pública é baseada na prevenção. Se posso apresentar uma nova alternativa para esses jovens para impedi-los de seguir o caminho errado, por que não arriscar?”, completou.
Fonte: O Fluminense






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