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jul 17

Policiais marcham em Brasília por reformas na Polícia Federal

  • 17 de julho de 2013
  • Notícias

Fonte: O Globo

 

Cerca de 500 policiais federais de todos os estados protestaram nesta terça-feira em Brasília para pedir a reestruturação da carreira e um novo modelo de investigação criminal. Um balão gigante de um elefante branco foi usado na manifestação, em que se lia “inquérito policial”. Segundo os policiais presentes, o inquérito – que é conduzido pelo delegado – é um modelo ineficiente e moroso. Participavam da manifestação agentes, papiloscopistas, escrivães e pessoal administrativo, mas não havia nem delegados nem peritos.

 

— O que o delegado faz hoje é uma coisa mais burocrática que de investigação — afirmou o vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens.

 

Mesma opinião tem o o diretor parlamentar da Fenapef e presidente do sindicato de São Paulo, Alexandre Sally.

 

— É dispensável e só atrapalha (o inquérito policial) — disse ele, acrescentando: — O elefante é o símbolo do atraso do nosso modelo, que é de 1971.

 

Segundo Sally, em outros países, não existe a figura do “despachante”, intermediando as relações do promotor com os investigadores. A Fenapef foi contra, inclusive, a proposta de emenda constitucional (PEC) 37, já arquivada, que tinha por objetivo restringir os poderes de investigação do Ministério Público, fortalecendo a figura dos delegados de polícia. No protesto desta terça-feira, havia uma faixa dizendo que, com o fim da PEC, “venceu a vontade do povo”.

 

Entre as outras reivindicações, os policiais federais também pedem um plano de carreira. “Profissionais experientes não ascendem, não assumem cargos de chefias e não têm oportunidade de passar adiante suas vivências”, diz trecho de panfleto distribuído pelos policiais.

 

Os policiais também reclamam de perseguições. O panfleto diz que “aproximadamente 30% dos ocupantes de três cargos (agentes, escrivães e papiloscopistas) se submetem ou já se submeteram a tratamento psicológico ou psiquiátrico por conta de um ambiente de trabalho contaminado pelo assédio moral”.

 

Além disso, afirmam que todos os anos 200 policiais deixam a PF. Boudens lembra que o treinamento de um policial federal leva quatro meses e custa R$ 80 mil. Diz ainda que nos dois últimos dois anos e meio, durante a gestão do atual diretor-geral da PF, Leandro Daiello, já houve 12 suicídios na corporação. Outra reivindicação é a substituição do pessoal terceirizado que trabalha na parte administrativa por servidores efetivos.

 

À tarde, eles participam na Câmara do lançamento da Frente Parlamentar de Apoio à Reestruturação da Polícia Federal.

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