MÁRCIO FALCÃO
Ao defender a manutenção da prisão do governador afastado do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido), a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, afirmou nesta quinta-feira no STF (Supremo Tribunal Federa) que o ex-democrata agiu na tentativa de suborno de uma das testemunhas do esquema de corrupção porque foi “gravado com pilhas de dinheiro”.
Segundo a procuradora, a custódia do ex-democrata permitiu ainda que surgissem novas provas do esquema de corrupção. Segundo ela, não há dúvidas da legalidade da prisão. “Se fosse qualquer cidadão a prisão não seria nem objeto de indagação”, disse.
Duprat afirmou que após a prisão de Arruda, policiais civis tiveram coragem de denunciar que o governador interferiu em investigações da corporação que envolviam Marcelo Toledo, policial aposentado e considerado um dos operadores do esquema de arrecadação e pagamento de propina.
“Não são apenas matérias de jornais, são matérias que se soma, que se soma, que se soma e que mostram como a máquina foi utilizada para vários fins, para criar um cenário que o governador não fosse processado e alvo de impeachment. Há limite para tudo. Temos provas que mostram que várias provas só foram obtidas agora após a prisão do governador. Policiais civis tiveram coragem de denunciar que Arruda interferiu a favor de Marcelo Toledo”, disse.
A procuradora afirmou ainda que não tem dúvidas de que Arruda estava envolvido na tentativa de suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do esquema.
“Sombra confirma, todos os mediadores confirmam que falavam em nome do governador. A quem interessaria tamanha engenharia se não ao governador que esta sendo investigado que foi gravado por Durval com pilhas de dinheiro. Foi esse episódio que levou à prisão. É um típico episódio de prisão preventiva porque o acusado vai atrás de testemunhas para mudar o cenário de provas”, afirmou.
A procuradora rebateu as críticas da defesa do governador de que não foram oferecidas condições para Arruda na prisão. Duprat disse que tem fotos de que o governador está bem instalado.
“Ele foi preso num primeiro momento na sala de um diretor, mas na sequência transferido porque tinha que ser retomada a rotina dos trabalhos. Nós pedimos informações e nos foi repassado que a sala em que ele está preso tem ar condicionado, sofá, cama, mesa de trabalho, ventilação. As condições da prisão são absolutamente dignas e temos as fotos”, afirmou.
A prisão de Arruda foi determinada no dia 11 de fevereiro pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) que acolheu a denúncia do Ministério Público Federal de que ele obstruía as investigações do esquema de corrupção. Hoje, o STF analisa o pedido de liberdade apresentado pela defesa.






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