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mar 26

PROSTITUIÇÃO: PRAZER, DINHEIRO OU ESCRAVIDÃO? Por Luís Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 26 de março de 2009
  • Notícias

 

 

Uma das profissões mais antigas do mundo e que existe em todos os países e em quase todas as culturas. O que veio primeiro? O cliente ou a prostituta. Qual o motivo de sua existência? O dinheiro, o sexo diferente ou os prazeres da vida mundana? Veremos que para esse programa diferente, existem várias explicações, com os mais variados motivos. Pois tanto quem vende, como quem paga pelo sexo está à margem da tradicional vida em sociedade.


Falsas ideologias permeiam a rotina dos prostíbulos, que são proibidos, porém não se proíbem os anúncios pela internet, nem tampouco os classificados que demonstram as ofertas de sexo para homens e mulheres, ou melhor, para quem pagar o cachê.


O Brasil, que entre outras maravilhas, é famoso em todo o mundo pela beleza de suas mulheres, enfrenta dentro desse mundo, uma infinidade de problemas, que obviamente aumentam as dificuldades da segurança pública.


Por vezes, prostitutas se aproveitam da ingenuidade ou até mesmo da fragilidade de seus clientes, para praticarem furtos, roubos e extorsões. Traficantes se utilizam dessas profissionais para transportarem droga, por conta de sua boa aparência, para enganar a polícia, ou até mesmo introduzindo a droga em sua genitália. A essa turma pode se somar os travestis, que cometem esse mesmo tipo de crime. No entanto, nesse caso, a vítima normalmente não o denuncia, por receio de que as esposas e amigos descubram sua face oculta.


É claro que para toda regra existe uma exceção e a possibilidade da existência de crimes pode ser verificada dentro de qualquer segmento profissional. O problema é que no caso da prostituição, já vem amarrada a preconceito, discriminação, histórias trágicas de abandono na infância, casamentos frustrados e violência sexual.


Por sua vez, a polícia também se aproveita, pois em muitas ocasiões as transformam em informantes, por sua proximidade com criminosos. Esses criminosos procurados, que não podem aparecer publicamente, gastam o resultado de seus crimes nas boates e com as garotas de programas, que os agradam de forma emocionada, mediante as fartas gratificações. Por vezes, essas prostitutas tornam-se a namorada do bandido, que a tira da zona e a leva para seu novo lar, que não passa de uma casa simples na periferia, mas com o status de rainha.


Normalmente, nas áreas urbanas, onde se verifica a existência de prostitutas que trabalham na rua, pode também se perceber a presença de usuários e traficantes de drogas, que muitas vezes recebem o valor da droga com sexo. Pois muitas meninas que se viciam, acabam se prostituindo para conseguir dinheiro e começa um ciclo dinâmico que não tem fim. Drogas por sexo e sexo para as drogas. Basta pensar um pouco que a conexão está feita.


Também não se deve pensar que a prostituição existe apenas nas casas tradicionais, nas ruas e nas beiras das rodovias. Nas grandes cidades e Brasília não poderia ser exceção, muito pelo contrário, existem as prostitutas de luxo. Aquelas, que ninguém imaginaria, e que se vestem com roupas de grife e dirigem carros importados e que certamente atendem somente aos clientes Vips nos melhores hotéis, restaurantes e nas mansões dos bairros nobres, onde eventualmente empresários ou lobistas, financiam grandes noites para que seus negócios se concretizem. Esses recebem então uma ajuda significativa das belas mulheres que emprestam seu corpo para os senhores do dinheiro, que retribuem com generosidade, fazendo girar a roda da fortuna.


Vimos que não se deve generalizar a prostituição, que ocorre nas mais variadas formas, motivos e locais e que as belíssimas brasileiras já famosas no planeta, são objeto de consumo, tanto para os gringos que nos visitam em busca da beleza da terra selvagem, mas pelas maravilhosas mulheres. Ocorre também o caminho inverso, porém de forma mais preocupante, quando as mulheres deixam o país em busca da promessa do dinheiro fácil, mas que acaba por se mostrar muito difícil, com uma vida cercada de incertezas e perigos.


Depois que o Aeroporto de Brasília começou a fazer a ligação direta com a Europa através da linha direta até Lisboa, capital de Portugal, prostitutas de várias cidades, principalmente provenientes do estado de Goiás, escolhem a capital federal, como ponto de partida para o sonho dos euros-sexuais. Nova moeda criada para medir o quanto custa o sexo de qualidade sem ter que deixar a segurança de seu país.


Na verdade, as promessas de dinheiro começam a ser desmontadas no desembarque, pois o destino muitas vezes se altera e as despesas financiadas para a viagem devem ser pagas com trabalho. As garotas de programa então percebem que o dinheiro não é tão fácil e são obrigadas a receber quantos clientes forem necessários para satisfazer seus patrões, que passam a ser seus donos em um regime de quase escravidão.


Certamente muitas prostitutas já imaginavam o que poderia acontecer até mesmo por conhecer histórias de outras que voltaram, mas somente vivendo que se mede o tamanho do problema. Porém, a decisão de mudar de país visando a prostituição é sempre a última opção e nesse caso a submissão e os infortúnios são mera consequência.


Lisboa não será o destino final na maioria dos casos, será apenas a porta de entrada. Muitas são deportadas ou devolvidas sem deixarem o aeroporto, depois aquelas que conseguirem entrar no país, se dirigirão à Espanha, país que hoje rechaça os brasileiros, além da Holanda, França, etc. Não se pode precisar o número exato, mas as estatísticas mostram que cerca de cem mil prostitutas brasileiras exercem sua profissão em outros países.


As autoridades da Capital Federal devem se anteceder aos problemas. Pois, o tráfico de drogas e órgãos, assim como o terrorismo, a prostituição e a exportação clandestina de seres humanos, estando conectada diretamente à Europa, conseqüentemente fará de Brasília uma rota do comércio ilegal internacional.

 

(*) Luís Cláudio Avelar é presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF.

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