Na década de 80, existiu um poderoso Delegado de Polícia Federal que tinha o seguinte lema: “PARA OS AMIGOS TUDO, PARA OS INDIFERENTES A LEI, PARA OS INIMIGOS, MASSACRE E PISOTEIO”. Passaram-se os anos e aquela Autoridade Policial provou do próprio veneno, foi massacrado pelos seus pares e teve que sair pela tangente e recorrer à aposentadoria.
O que mudou daquela época para cá? Muito pouco. Os amigos ainda continuam sendo bem tratados. Os indiferentes e os “inimigos” respiram mais aliviados com o advento da nova Carta Magna. Mesmo assim, a onda de Procedimentos Administrativos Disciplinares repressivos insiste em calar aqueles que se manifestam contra as mazelas da Administração.
O DPF continua a ignorar os profissionais capacitados, pois o mérito não faz parte dos requisitos para se ascender profissionalmente na Instituição. Existem sim, dois requisitos tidos como cláusulas pétreas: o primeiro é ser Delegado; o segundo é ser amigo de quem está no poder. Para isso, vale ser da mesma turma de Academia, ter trabalhado junto em alguma Delegacia e ter tido com aquele um bom relacionamento. De nada interessa o preparo profissional. Se for Agente, Escrivão ou Papiloscopista, esquece!! São cartas fora do baralho.
Mas, mesmo para os Delegados, os infortúnios acontecem, principalmente quando a dança das cadeiras atinge a Direção-Geral e as mudanças começam nas Diretorias, Coordenações, Superintendências e, por conseqüência, nas outras Chefias. Impressiona a mudança de discurso daqueles que estavam no poder e são vítimas da degola, para que os amigos venham compor o novo grupo. Ainda na semana passada, foi visto um ex-coordenador a lamentar a falta de uma política do DPF no que concerne a prestigiar aqueles servidores possuidores de cursos de especializações e de experiência. O curioso é que enquanto estava lá, não fez qualquer esforço para mudar essa realidade. Dizia ele lacônico: “De nada vale ter experiência e cursos de especializações. Ninguém respeita isso aqui no DPF”.
Parece que o “corredor” é o melhor lugar para se voltar à realidade e perceber que o DPF está falido com essa política de pessoal. Mas, infelizmente, essas mudanças são sazonais e muitos daqueles que foram dispensados do poder, ascendem novamente e – como se nem fosse com eles! -, esquecem da realidade descoberta no “corredor”.
Felizmente os Agentes, Escrivães e Papiloscopistas não são atingidos por esse malefício. Sequer preenchem o primeiro requisito exigido para assumir chefias no DPF, portanto, nem têm a oportunidade de sentir o gostinho do poder, que deve ser muito bom, pelas reações. Mas para os Delegados que estão no poder, quando dali são retirados abruptamente, as conseqüências são graves. Doenças psicossomáticas e aposentadorias dos revoltados, virou lugar comum.
É compreensível esses destemperos, pois acostumados a ganhar gordos DAS, alguns até auxílio-moradia, além de serem tratados de “chefes”, “doutores” e ainda se portarem como superiores hierárquicos de todas as outras categorias que integram o DPF – mesmo que para tanto subvertam o conceito de hierarquia -, deve ser um choque imensurável, ao ponto de voltarem para a realidade e perceberem que o mérito, fruto de cursos de especializações, conjugado com a competência e um excelente conhecimento da profissão, ainda é o melhor requisito a ser exigido para promover o servidor a uma direção, coordenação ou qualquer outra chefia.
Egídio Araújo Neto
Secretário Geral do Sindipol/DF






Comments are closed.