Em greve desde 7 de agosto, categoria recusou reajuste de 15,8% oferecido pelo governo;
Policiais federais em greve fizeram um protesto ontem no Senado / Pedro França / Agência Senado Policiais federais em greve fizeram um protesto ontem no Senado Pedro França / Agência Senado
Marcelo Freitas do Metro Brasília noticias@band.com.br
Às vésperas de completar um mês, a greve da Polícia Federal deflagrou uma grave crise interna, que coloca os servidores da categoria em lados opostos. Apenas os 1,7 mil delegados aceitaram a proposta de reajuste salarial de 15,8% em três parcelas até 2015 e retornaram ao trabalho. Os agentes, escrivães e papiloscopistas estão parados por tempo indeterminado.
As três carreiras, que representam 8 mil servidores, recusaram o aumento linear oferecido a 95% dos servidores públicos e exigem a negociação da reestruturação da carreira, com salários compatíveis com os pagos à elite da coorporação.
O vencimento inicial dos delegados é de R$ 13,4 mil, enquanto as demais carreiras recebem R$ 7,5 mil. “O governo reconheceu a carreira como nível superior desde 2010. Queremos o reconhecimento dos policiais que vão a campo e fazem efetivamente o trabalho de investigação”, afirmou o diretor da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) Paulo Paz, lembrando que os cargos de chefia jamais são ocupados por agentes, escrivães e papiloscopistas. Os sindicalistas acusam o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, de provocar a divisão entre os servidores. Um pedido de demissão dele, inclusive, foi formalizada pela Fenapef.
Os delegados, por sua vez, argumentam que a greve prejudica a imagem da Polícia Federal e a equiparação salarial pode comprometer a hierarquia. “A natureza e a complexidade do cargo dos demais policiais não são iguais às de um delegado. Está na lei: a responsabilidade e a dificuldade são maiores”, diz o presidente da ADPF (Associação dos Delegados da Polícia Federal), Marcos Leôncio Ribeiro.
O Ministério do Planejamento ainda não marcou uma reunião com os representantes dos policiais em greve. O governo está preocupado com a interrupção de serviços essenciais e os prejuízos à população. “Haverá rigor no corte de ponto”, garantiu o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.
A greve dos servidores da Polícia Federal tem impacto na prestação de serviços à sociedade:
Passaporte – A emissão de passaporte permanece lenta. A rapidez ocorre apenas em viagens de emergência.
Investigações – As operações policiais contam com efetivo reduzido e comprometem a apresentação de conclusões.
Atendimento – O registro de crimes federais depende do número de policiais disponíveis nas delegacias.
Depoimentos – Os depoimentos de criminosos em alguns processos têm sido remarcados.






Comments are closed.