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ago 09

Saiba como foi a audiência pública no Rio de Janeiro sobre a Reestruturação da PF

  • 9 de agosto de 2013
  • Notícias

Fonte: Sindpolf/SP

Policiais Federais de todo o país lotaram a sala de audiências da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na manhã de segunda-feira (5) para participarem da audiência pública sobre a Reestruturação da PF. A reunião foi convocada pelo presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, deputado estadual Iranildo Campos (PSD/RJ). Para o deputado, o problema que é de caráter federal, também precisa ser debatido nas esferas estaduais, pois a melhoria dos trabalhos da Polícia Federal reflete em toda a sociedade, principalmente em suas bases.

A audiência ocorreu logo após uma passeata promovida pelo Sindicato dos Policiais do Rio de Janeiro (SSDFPF/RJ) e Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), envolvendo cerca de 300 policiais de vários estados.

Participaram do encontro, representando a categoria, o presidente da Fenapef, Jones Borges Leal; o vice-presidente da Federação, Luis Antônio de Araujo Boudens e diretores, além, de presidentes sindicais. OSINDPOLF/SP foi representado pelo presidente, Alexandre Santana Sally, também diretor parlamentar da Federação.

 

Apoio Político

Na abertura da audiência, Iranildo Campos destacou a importância do trabalho de agentes, escrivães e papiloscopistas na Polícia Federal e a necessidade de se discutir melhorias estruturais para os profissionais. Também chamou a atenção para audiências estaduais.  

“A ideia da comissão agora é formalizar um documento, com assinaturas de vários deputados, mostrando as reivindicações da categoria e tentando fazer com que os deputados federais encampem essa ideia pela reestruturação da Polícia Federal. Vamos trabalhar por esse reconhecimento”, disse o presidente da Comissão.

O deputado federal Otoniel Lima (PRB-SP), presidente da Frente Parlamentar pela Reestruturação da Polícia Federal, informou que visitará vários estados para conhecer situações pontuais e fortalecer o movimento. Otoniel lembrou que o problema da reestruturação da Polícia Federal fragiliza a Segurança Pública.

Esteve presente na audiência, o vice-presidente da Frente Parlamentar, deputado federal Eurico Junior (PV/RJ). Ele demonstrou apoio aos sindicalistas em prol de uma polícia que consiga aumentar o número de soluções de crimes que não são apenas os de colarinho branco.

O vice-presidente da Comissão de Segurança, deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP/RJ), comentou que em sua família há um escrivão da Polícia Federal e que conhecia as dificuldades da categoria.  Sugeriu a formalização de um documento, através de várias assinaturas de deputados estaduais de assembleias em outros estados, para ser entregue à Câmara Federal com objetivo de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reestruturação. A ideia foi aplaudida por todos os participantes.

Guilherme Guedes Raposo, procurador-chefe do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, ampliou o âmbito das discussões para a questão do inquérito policial. “Temos que estudar uma nova estrutura e também mudar a forma de investigação”, acrescentou. 

Os deputados Flávio Bolsonaro e Iranildo Campos também prometeram empenho na mobilização para que projetos de interesse dos policiais federais sejam pautados. ”Continuem investigando. Não desanimem, nós precisamos de vocês”, enfatizou o deputado Iranildo Campos.

Iranildo Campos demonstrou sua admiração ao comentar que, em nenhum momento, nenhum dos policiais presentes e entidades falaram em salário, mas que a preocupação externava questões de segurança em prol da sociedade. 

 

A palavra dos representantes sindicais

Breve Histórico – Na audiência pública, o presidente da Federação, Jones Borges Leal (foto), apresentou item a item todas as dificuldades que atingem a categoria.  “A atividade policial é a segunda mais estressante do mundo, só perdendo para os mineradores, mas nem lá tantos se matam”, disse ele, referindo-se ao alto índice de suicídios entre os federais – foram 12 casos nos últimos três anos, e curiosamente, nenhum delegado.

 Paradoxo de carreiras– O vice-presidente da Fenapef, Luiz Antonio de Araujo Boudens, enfatizou o prazer de a primeira audiência estadual ser no Rio de Janeiro cuja Casa sempre organizou grandes embates. Lembrou que a PF nasceu naquele estado. Boudens destacou o “paradoxo das carreiras” e também falou das operações. “Poucos gestores entendem o que está acontecendo e quais são os pensamentos desses policiais. Queremos através do meio político, levantar essa questão”, argumentou.

PF com 5 cargos– O presidente do SINDPOLF/SP e diretor parlamentar da Fenapef, Alexandre Santana Sally (foto), salientou que a carreira policial é composta por cinco cargos e não apenas um. “Hoje existem diversos projetos tramitando no Congresso, inclusive nas Casas estaduais, no âmbito das policias civis, que beneficiam somente um cargo e não a carreira, não os policiais e a sociedade. Isso tem que ser revisto e é importante esse apoio de todos vocês (parlamentares)”, explicou.

Assédio e perseguições– A presidente do SSDFPF/RJ, Valéria Malhães denunciou um caso de perseguição grave de um policial que aderiu a greve no ano passado. “O colega pode ser preso e até demitido por ter exercido seu direito constitucional de servidor de aderir à greve”. Segundo Valéria, o agente foi denunciado por um delegado, embora sua participação não prejudicasse os 30% do efetivo mínimo em seu setor. Reafirmou também sobre o compromisso expresso do Ministério da Justiça de não punir os grevistas.

Aparheid institucional– Flávio Werneck, presidente do SINDIPOL/DF (foto), falou dos problemas de cargos no Departamento e mencionou que o sentimento dos policiais é de abandono e de total descaso por parte dos gestores do Departamento de Polícia Federal e do Ministério da Justiça. “Hoje há um apartheid  institucional, a palavra é forte, mas é o que melhor retrata o departamento de Polícia Federal hoje”, declarou. 

Projetos de lei – O diretor adjunto Luiz Carlos Cavalcante(foto) agradeceu pela iniciativa da audiência, citou projetos apensados sem nenhum deles ouvissem os profissionais que cuidam diretamente das  investigações. 

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