Responsável pela operação deflagrada em julho passado pela PF depõe hoje à comissão. Itagiba diz que, se mentir, o delegado será indiciado. Mas, graças a um habeas corpus do STF, ele terá o direito de ficar calado
A CPI dos Grampos toma hoje o depoimento do delegado Protógenes Queiroz, suspeito de ter cometido abusos durante as investigações da Operação Satiagraha, deflagrada em julho passado pela Polícia Federal. Protógenes, que num primeiro momento disse que daria “nome aos bois”, terá resguardado o direito de ficar calado por ter obtido habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse ontem que, caso não fale a verdade, o delegado será indiciado por falso testemunho.
Para deflagrar a Operação Satiagraha, que tinha o banqueiro Daniel Dantas como principal alvo, Protógenes recorreu meses antes ao auxílio de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). As investigações sobre o vazamento de informações da ação policial descobriram que agentes de inteligência utilizaram senhas de policiais para acessar o programa de escutas telefônicas da PF. Recentemente, Protógenes foi indiciado pela polícia por violação à lei de interceptação e quebra de sigilo funcional.
O delegado deve falar à CPI escoltado por deputados e senadores simpáticos a ele. Na semana passada, Protógenes esteve no Congresso com parlamentares para buscar respaldo político para ir à comissão. Ele receava ser preso durante o depoimento, rumor negado pelos integrantes.
Ontem, a comissão ouviu Renato Porciúncula, ex-assessor especial da Abin. Porciúncula disse que não sabia da cooperação de servidores da agência na Satiagraha, o que irritou os parlamentares, por causa de sua proximidade com o ex-diretor-geral da Abin Paulo Lacerda.






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