Numa operação realizada com a Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo pediu – e a Justiça Federal decretou – a prisão de 13 pessoas investigadas pela montagem de uma quadrilha que facilitava a regularização de estrangeiros no país.
Na segunda-feira, autoridades brasileiras e norte-americanas prenderam onze pessoas nesta segunda-feira (7) acusadas de pertencer a uma quadrilha internacional que fraudava o sistema de concessão de vistos para trabalho temporário nos EUA desde 2002. Pelo menos 4.500 brasileiros teriam sido vítimas do esquema de fraudeO grupo, segundo a assessoria de imprensa do MPF, era formado por cinco policiais e dois servidores da Delegacia de Polícia de Imigração da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, que recebiam vantagem indevida de seis advogados e despachantes que captavam estrangeiros interessados em agilizar sua documentação, burlando procedimentos legais e regulamentares.
Das ordens de prisão (11 preventivas e duas temporárias), 12 foram cumpridas nesta terça-feira (8) pela Polícia Federal, que executou também 19 mandados de busca e apreensão em endereços comerciais e residenciais. A 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo determinou ainda, a pedido do MPF, o bloqueio das contas bancárias dos envolvidos e o encaminhamento à corregedoria da PF para a realização de uma investigação interna.
Os servidores da PF são investigados pelos crimes de corrupção passiva, com o agravante de terem recebido valores ilícitos para praticar atos de ofício; uso de documento ideologicamente falso e por formação de quadrilha ou bando. Já os advogados e despachantes, além dos dois últimos crimes, responderão por corrupção ativa.
Histórico
As investigações da Operação Piàn Jú começaram em junho deste ano, como desdobramento da Operação Da Shan, deflagrada pela Polícia Federal em maio, cujo objetivo foi desarticular uma organização criminosa especializada em introduzir no país e transportar para São Paulo pessoas de origem estrangeira, além de obter documentos falsos para a regularização de suas situações junto à Polícia Federal.
A abertura da nova investigação foi necessária para apurar a participação de servidores públicos integrantes dos quadros da PF em São Paulo com a organização criminosa investigada naquele processo.
Foram autorizadas judicialmente interceptações telefônicas e de e-mails de alguns investigados, a interceptação ambiental das salas ocupadas por alguns dos envolvidos na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, vigilância e afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos alvos, para apurar as condutas e o envolvimento de tais servidores públicos no esquema criminoso.
Apesar das dificuldades enfrentadas pela PF no início dos trabalhos, em virtude dos diálogos mantidos de forma cifrada pela quadrilha, as investigações conseguiram provas suficientes para identificar o esquema criminoso composto de servidores da Polícia Federal, responsáveis por processos de anistia, permanência e naturalização de estrangeiros, bem como emissão de passaportes, além de advogados e despachantes, que captavam estrangeiros como clientes e colaboravam com os policiais para burlar os procedimentos legais e regulamentares e acelerar processos de seus clientes.






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