Diretor-geral da instituição determinou corte de 40% nas despesas diárias
Impedidos de realizar operações de grande repercussão devido à falta de recursos, policiais federais reclamam por terem seu trabalho engessado. Com um corte nas verbas destinadas à manutenção de unidades e ao trabalho de agentes, a Polícia Federal não têm conseguido realizar operações de grande porte nos últimos meses. O dinheiro que é repassado à PF pela União foi reduzido em 14% nas despesas de administração das superintendências e delegacias e em 36% no fundo que banca viagens para os policiais federais.
De acordo com o presidente do Sindipol-DF (Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal), Jones Borges Leal, “não há dinheiro para nada”. Ele cita helicópteros parados e falta de passagens aéreas e diárias em hotéis como exemplos de como a falta de dinheiro afeta o trabalho.
– Temos um helicóptero só voando, e precariamente. Todos os outros estão parados, sem combustível, sem peças, sem maquinário, sem dinheiro para diária, sem dinheiro para nada. Até pouco tempo atrás tínhamos diversas aeronaves voando, uma atrás da outra. Agora só uma funciona, e mal. Você não vê colegas viajando fora da sua unidade de lotação, não vê eles trabalhando fora, justamente porque não tem como pagar pra eles as diárias e as passagens.
Leal afirma que, desde o ano passado, as operações de grande repercussão que a PF costuma realizar não acontecem mais.
– Se você observar, o que teve de operações nesses últimos meses? A última grande foi essa de Brasília alguns meses atrás [Caixa de Pandora, no final do ano passado]. Mas antes disso já há algum tempo não tinha nada. E depois disso também não se viu mais nada. Se você recordar, um ano e meio atrás, dois anos atrás, era uma operação atrás da outra, e não estamos tendo isso.
De acordo com determinação direção da corporação as unidades da PF deveriam reduzir seus gastos em 40%, além de cancelar encontros e simpósios. A ordem foi dada em 04 de junho pelo diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, em mensagem oficial encaminhada a diretores e superintendentes regionais, que afirmou também que “sacrificou” projetos de investimentos e modernização.
Não houve, oficialmente, uma determinação da cúpula da polícia para que grandes operações fossem interrompidas. Na prática, entretanto, a falta de recursos impede investigações de grande repercussão.
De acordo com a mensagem de Corrêa, os cortes nas verbas ocorrem devido a um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, editado em março deste ano. O diretor-geral diz que, mesmo com menos recursos, tentaria manter os gastos como previsto anteriormente. Entretanto, afirma, a PF recebeu, de janeiro a maio, cerca de R$ 24 milhões a menos por mês do que as novas previsões (já com cortes), e por isso teve que determinar a redução de gastos.
As grandes operações da Polícia Federal costumam investigar crimes envolvendo políticos e grandes empresários. A redução na intensidade das operações ocorre justamente durante um ano eleitoral.
Procurada pela reportagem do R7, assessoria de imprensa da PF confirma que houve cortes no orçamento da instituição, mas não quis comentar se eles afetam as operações.






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