Até que recebam do governo uma proposta satisfatória quanto à questão salarial, policiais civis do DF mantêm a paralisação. Prejuízos com movimento grevista já começam a atingir a população de Brasília
A sessão de investigação, registros de ocorrência, perícias, exames médicos e outros serviços prestados pela Polícia Civil do Distrito Federal continuam interrompidos até a próxima assembleia marcada para as 17h de sexta-feira. Também estão suspensas as visitas a presos que estiverem na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). No encontro realizado na tarde de ontem no Estacionamento 6 do Parque da Cidade, os policiais decidiram manter a paralisação que começou na sexta-feira passada. A categoria espera há pelo menos 40 dias que o GDF encaminhe ao governo federal uma proposta de reestruturação do plano de carreira. Porém, segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF), Wellington Luiz de Souza Silva, o GDF não tomou nenhuma medida que favoreça a categoria.
Os policiais civis reivindicam principalmente uma modificação no plano de carreira profissional, que atualmente tem promoções de cinco em cinco anos. A proposta do Sinpol é diminuir o intervalo entre uma promoção e outra. Para Wellington Silva, a nova medida não prejudica o governo. “Queremos a criação de padrões dentro das classes. Receberemos mais aumentos de salários, mas isso beneficiará também o governo. Em vez de pagar o salário de uma só vez para todo um grupo de funcionários, o governo pagará por etapas, o que diminuirá o impacto na folha de pagamentos da Polícia Civil”, acredita. Segundo ele, a categoria pretende suspender as visitas a presos em todo o complexo penitenciário do DF caso o governo não reveja a proposta de reestruturação da carreira.
Durante a greve, somente flagrantes de crimes e ocorrências graves serão registrados. As perícias no Instituto Médico Legal devem ser feitas em casos de homicídios e estupros. A emissão de carteiras de identidade, tanto nas delegacias quanto nos postos de atendimento do Na Hora, está suspensa. As investigações e a área administrativa da PC estão suspensas. O Centro de Atendimento e Despacho (Ciade) só dará retorno a chamadas pelo rádio em caso de flagrante, e os atendimentos solicitados por delegacias deverão ser feitos por telefone. Também não haverá atendimento no Sinpol. Quanto a ocorrências de furtos simples, devem ser registradas pelo site da Polícia Civil.
Sem registros
Com a mão quebrada e o rosto machucado após uma briga numa boate no Lago Sul, Rodrigo Maia, 23, e os quatro amigos que comemoravam juntos o hexacampeonato do Flamengo na noite de domingo não puderam registrar boletim ocorrência contra os 12 seguranças acusados pela agressão. Durante 24 horas, agentes e escrivães de todas as delegacias da Polícia Civil do Distrito Federal revezam numa escala com apenas 30% do efetivo. O incidente ocorreu às 4h da manhã. “Meu amigo estava com a cabeça toda machucada, tiveram que dar 40 pontos, e não podemos fazer o exame de corpo de delito porque o IML está em greve”, protesta o advogado, morador do Lago Sul. Feridos, Rodrigo e os amigos foram aconselhados por um policial militar a seguir a um hospital e registrar a ocorrência após o fim da greve.
A resolução do problema de Jacirema Lima Almeida, 83, também terá que ficar para depois. Moradora da Asa Norte, a pensionista teve duas folhas de cheques clonadas. O prejuízo que caiu na conta bancária dela somava quase R$ 4 mil. “Foram duas folhas no valor de R$ 1.976. O banco vai fazer o estorno, mas preciso do boletim de ocorrência. Eles precisam investigar quem é esse nome que recebeu o dinheiro”, acrescenta. O secretário de Planejamento do DF, Ricardo Penna, disse ontem por telefone ao Correio não saber se o pedido de reestruturação de carreira da categoria foi encaminhado ao governo federal.






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