Claudia Andrade
O jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra, afirmou nesta terça-feira que as investigações do suposto esquema de corrupção no Distrito Federal ainda podem resultar em mais prisões. Ele prestou depoimento à Polícia Federal relacionado ao inquérito da Operação Caixa de Pandora, que apura irregularidades no governo distrital.
Na saída, foi questionado por jornalistas sobre uma declaração dada pouco antes pelo principal delator do suposto esquema de pagamento de propina, Durval Barbosa. Em depoimento à CPI da Corrupção, o ex-secretário de relações Institucionais do DF afirmou que “o rolo compressor nem começou”.
“Com certeza”, concordou sombra, a respeito da declaração de Durval. Ao responder se o citado “rolo compressor” atingiria mais pessoas ou apenas aprofundaria as acusações das que já são citadas no inquérito, o jornalista disse acreditar que “ambas” as situações podem ocorrer.
Sombra também foi questionado se o “rolo compressor” levaria mais gente para a prisão. “Depende da ação deles. Se eles continuarem procurando obstacular o trabalho da Justiça, da polícia, continuar fazendo rolo, achacando empresários, eu acredito que sim”, disse.
O jornalista não foi claro ao dizer quem seria autor dos achaques. Seriam políticos ou empresários? “Ambos”, respondeu. Os políticos que fariam os achaques ainda estão no poder? “Alguns ainda estão no poder”, afirmou.
Em seu depoimento, Sombra disse ter levado a conhecimento da Polícia Federal “alguns fatos que estão ocorrendo aqui fora” com relação a ele. “Mas eu não me sinto ameaçado. Podem ameaçar à vontade, porque quem nasce um dia tem que morrer”, disse, sem especificar que tipo de ameaça estaria recebendo. “Prefiro deixar isso para o tempo correto. Tem a polícia que investiga e cada um faz uso das declarações do jeito que quiser. Eu procuro me manter reservado”, disse.
Sombra também foi questionado sobre a postura da maioria dos depoentes convocados pela Polícia Federal de permanecerem em silêncio durante as oitivas. “Eu entendo, mas ao mesmo tempo não entendo, porque eu acho que todos eles deveriam falar, sem exceção. Eles têm muito a contribuir com a Justiça. Tem aí o instituto da delação premiada, por que não fazem uso também? O Durval fez”, afirmou.
O jornalista foi o pivô do flagrante de suborno que levou à prisão do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e outras cinco pessoas, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No dia do flagrante, a PF prendeu Antônio Bento, funcionário do metrô do DF, que foi acusado de atuar em nome do ex-governador. Segundo Sombra, o suborno teria como objetivo fazer o jornalista mudar seu depoimento para favorecer Arruda.






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