Júnior Brunelli, um dos três deputados flagrados em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa, deve abrir mão do mandato. Com isso, escapará da cassação e poderá até se candidatar neste ano
Lilian Tahan
Está escrita e com previsão de ser entregue ainda hoje a carta de renúncia ao mandato do distrital Júnior Brunelli (PSC). O deputado é investigado por receber mesada para votar de acordo com os interesses do governo. Para não perder a chance de se candidatar à reeleição em outubro, ele vai abrir mão do assento na Câmara Legislativa. Até lá, fugirá da notificação da Comissão de Ética, que abriu processo por quebra de decoro parlamentar contra o político. Se ele receber a notificação, perderá a chance de preservar os direitos políticos em caso de cassação.
Brunelli protagonizou um dos vídeos mais exibidos do escândalo da Caixa de Pandora — em prece, agradece pela vida do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. As cenas ficaram conhecidas como oração da propina. O distrital aparece em outro vídeo, este gravado em 2006, no qual recebe dinheiro de origem duvidosa das mãos de Durval. Na tarde de ontem, a assessoria de imprensa do deputado confirmou ao Correio que ele pretende renunciar ainda hoje. O grupo político de Brunelli confia que ele conseguirá se reeleger sem dificuldades. Entre os evangélicos ligados ao deputado, muitos confiam que o político foi injustiçado.
Na manhã de ontem, a deputada Érika Kokay (PT), que preside interinamente a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, fez mais uma tentativa de notificar o colega. Foi até o Sudoeste e bateu à porta do endereço residencial informado por Brunelli na Câmara Legislativa. “Descobri que ele não mora mais lá faz mais de ano e não atualizou seus dados”, disse Kokay. Os assessores não revelaram onde o parlamentar reside atualmente.
Veio da equipe que trabalha com o distrital parte da pressão para que Brunelli esticasse a corda ao limite de preservar seus direitos políticos. Segundo apurou o Correio, os funcionários do deputado pediram à presidente da Comissão de Ética que aguardassem o fim do mês antes da notificação. Assim, os servidores não teriam de devolver parte do salário. Fontes ouvidas pela reportagem revelaram que Brunelli teria pedido ao governador em exercício Wilson Lima (PR) para empregar, na estrutura do GDF, alguns dos demissionários da Câmara Legislativa.
Há um projeto de resolução que está pronto para ser votado em plenário e estabelece um prazo máximo de três dias úteis para a notificação do distrital alvo de processo por suposta quebra de decoro. A proposta prevê que se o parlamentar não for achado, será citado no Diário Oficial da Câmara.
Estratégia
As regras, se aprovadas pela maioria dos deputados, valerão também para a deputada Eurides Brito (PMDB), que também responde a processo por quebra de decoro por ter aparecido em vídeo recebendo dinheiro escuso. Ela tem dito que não pretende renunciar e começou uma estratégia para dividir as responsabilidades sobre a suposta participação em suposto esquema de corrupção envolvendo o Executivo e o Legislativo locais. Em seu blog, a distrital envolveu o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) nas suspeitas de pagamento de mesada (leia ao lado).
O primeiro a se desapegar do cargo para salvar seus direitos políticos foi Leonardo Prudente, o deputado do dinheiro nas meias. Na última sexta-feira, ele entregou a carta de demissão. O gabinete de Prudente, que presidia a Câmara Legislativa no dia em que o escândalo estourou, já não tinha muitos móveis. O movimento era apenas de assessores que retiravam as últimas caixas de mudança.






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