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mar 24

UM DISTRITAL PARA GOVERNADOR – Correio Braziliense

  • 24 de março de 2010
  • Notícias

A maioria dos deputados defende a candidatura de um dos colegas para exercer o mandato tampão no Buriti até dezembro

•  Lilian Tahan

As regras para nortear as eleições indiretas ainda não estão definidas, mas a maioria dos distritais já tem um posicionamento quanto à candidatura de um dos pares. Treze dos 23 deputados — um deles está preso na Papuda — defendem a permissão para que um integrante da Câmara Legislativa concorra à vaga de governador tampão. E nove são contrários a essa autorização. Apenas um se diz indeciso. Assim, se o pleito fosse hoje, haveria forte tendência de os distritais escolherem um dos colegas para chefiar o Executivo. Entre os que opinam pela participação de um representante da Câmara no processo de sucessão, estão sete dos dez políticos investigados na Operação Caixa de Pandora.

Na avaliação da maioria dos deputados, não há motivos para impedir que a Casa lance um nome (veja quadro ao lado). “Impedir isso seria radical, colocaria todos na condição de suspeitos”, disse Rogério Ulysses (sem partido), um dos distritais citados no escândalo. “Não se discute opinião nesse caso, simplesmente não há impedimentos”, argumentou Eurides Brito (PMDB), que foi flagrada guardando dinheiro entregue por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais. Para Benício Tavares (PMDB), também nominado no inquérito nº 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), trata-se de uma questão de experiência: “Sabemos lidar com o Executivo e com a política, é natural que tenhamos a oportunidade de ter um representante”.

Nomes da Câmara que surgiram como possíveis candidatos ou que se empenham para influenciar decisivamente na escolha do governador também se posicionam pela permissão. Alírito Neto (PPS), por exemplo, acha que qualquer parlamentar, seja ele deputado federal, senador ou distrital, deveria ter o direito a concorrer: “O que deve contar é a plataforma política, um programa de governo capaz de tirar a cidade da crise”. Além dele, Eliana Pedrosa (DEM) favorece o grupo dos que são a favor da candidatura de um distrital. Os dois políticos são lembrados como candidatos. Mas não confirmam a hipótese. Trabalham nos bastidores para participar do processo. Eliana Pedrosa, por exemplo, vem sondando algumas pessoas para a disputa, entre as quais, o ex-presidente do Tribunal de Contas do DF, Paulo César Ávila.

A tese dos distritais contrários à candidatura de um integrante da Câmara Legislativa é parecida. Eles acham que o movimento de afastar os políticos da Câmara evitaria uma contaminação eleitoreira do processo de escolha, já que em outubro haverá eleições direitas e quem assumir agora poderá se beneficiar do cargo para construir uma plataforma de campanha para o próximo pleito. Essa é a avaliação feita em conjunto pela bancada do PT. “A escolha de alguém de fora da Casa diminui as chances do escolhido de trabalhar em causa própria. O momento é o de se reconstruir a cidade e não de se tirar proveito eleitoreiro”. Para José Antônio Reguffe (PDT), “quando mais distante for o processo das eleições indiretas das colorações políticas, melhor será para a população”.

Empresários sem notificação

Até o início da noite de ontem, a presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Codeplan, Eliana Pedrosa (DEM), não havia conseguido notificar os empresários da área de informática para prestar depoimento neste mês na Câmara Legislativa. O cronograma de trabalho aprovado pela CPI previa para hoje o relato de Gilberto Lucena (Linknet), na próxima sexta-feira os depoimentos de Antônio Ricardo Pechis (Adler) e de Cristina Bonner (da TBA e B2BR), e de Avaldir da Silva (CTIS) e Nerci Soares (Unirepro) na quarta-feira da semana que vem.

Suplente indigesto

A Mesa Diretora da Câmara Legislativa convocou oficialmente Geraldo Naves para assumir o cargo de deputado. Com as renúncias de Leonardo Prudente e de Júnior Brunelli (PSC), ele é o próximo na fila de suplentes a ter direito a um assento na Casa. Mas como está preso desde o dia 12, vai se valer do prazo regimental de 30 dias, prorrogáveis por outros 30, na tentativa de ser solto antes de se confirmar no cargo.

Os advogados de Naves entraram com um pedido de revogação da prisão do cliente no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e confiam que até sexta-feira haverá uma definição sobre a situação do pretendente a deputado. “Esperamos que o resultado para o recurso saia até o fim da semana. Por isso, não vamos nos precipitar. Ele vai esperar a decisão da Justiça, porque pretende assumir o cargo sem dever nada a ninguém”, disse Ronaldo Cavalcanti, que representa juridicamente o suplente.

Geraldo Naves foi preso por suposta tentativa de suborno a testemunhas da operação Caixa de Pandora. Assim como no caso do ex-governador José Roberto Arruda, e de outros quatro aliados, a prisão preventiva foi pedida pelo Superior Tribunal de Justiça para que os suspeitos não interferissem nas investigações do caso.

A notificação de Naves foi motivo de polêmica na Câmara Legislativa. Os deputados queriam evitar o desgaste de convocar um colega preso na Papuda por suposto envolvimento com os escândalos políticos. Mas se sentiram pressionados a fazer o chamamento porque não existe nada na lei que impeça a posse de Naves, mesmo ele estando detido preventivamente há mais de mês. A convicção da Mesa Diretora veio de um parecer da Procuradoria-Geral da Casa, que há três semanas se posicionou a favor da convocação.

Para cumprir a lei, mas diminuir a exposição, os deputados decidiram em conjunto convocar Naves sem fazer qualquer esforço para que ele tome posse na prática. Os distritais poderiam pedir à Justiça a custódia do político para confirmá-lo no cargo. Mas descartam essa hipótese. “Se ele quiser assumir o posto a que tem direito, vai ter que arrumar os mecanismos legais para isso”, avisou Raimundo Ribeiro (PSDB).

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