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Em greve há mais de 40 dias, os servidores da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro vão intensificar as ações de reivindicações da categoria pelo Estado. O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Telmo Correa. De acordo com ele, as próximos atividades a serem organizadas pela corporação visam a promover uma mobilização no Estado, assim como informar à sociedade os motivos da paralisação.
Os servidores farão amanhã uma manifestação em frente ao Copacabana Palace, na zona sul carioca. Na semana passada, os agentes montaram tendas para arrecadação de alimentos em frente à Superintendência da PF, na praça Mauá. “São eventos nacionais. E nós estamos atendendo à orientação do comando de greve nacional. A nossa principal tarefa é informar a sociedade sobre o dano causado pelo governo federal. É para a população entender que nós estamos em uma luta.”
Telmo Correa voltou a informar que o esquema de emissão de passaportes tem sido mantido, desde o início do movimento. Ou seja, estão sendo emitidos apenas documentos considerados emergenciais, como por motivo de doença ou trabalho, mediante a apresentação de uma declaração comprovando a necessidade da viagem. Ele disse que apenas 30% do efetivo está trabalhando. “Há um desconforto, mas não um prejuízo irreversível ao cidadão. Porque nós temos que zelar pelo atendimento à sociedade, em comum com o nosso protesto. A nossa função é protestar e forçar o governo, mas sem prejudicar a sociedade”, enfatizou.
De acordo com o presidente do sindicato, outro setor que está com apenas 30% do efetivo trabalhando é o de controle de tráfico de produtos químicos. Já o setor de inteligência, responsável pelas escutas telefônicas da PF, está totalmente parado.
Números
Ao todo, são 200 agentes e 50 escrivães atuando no Estado do Rio. O número, segundo Correa, é desproporcional para atender à grande demanda por serviços dos agentes. Outro problema citado por Temo Correa é a desistência da carreira de agente federal. Ele lembrou que, anualmente, de 200 a 250 policiais federais deixam a corporação para seguir carreiras mais atrativas.
Entre as reivindicações dos escrivães, papiloscopistas e agentes estão a reestruturação da carreira, a equiparação aos salários pagos, por exemplo, a um auditor da Receita Federal e a um oficial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e realização de novos concursos públicos.
O movimento grevista
Iniciados em julho, os protestos e as paralisações de servidores de órgãos públicos federais cresceram no mês de agosto. Pelo menos 25 categorias entraram em greve, tendo o aumento salarial como uma das principais reinvindicações. O Ministério do Planejamento estima que a paralisação tenha envolvido cerca de 80 mil servidores. Em contrapartida, os sindicatos calculam que 350 mil funcionários aderiram ao movimento.
A greve afetou servidores da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Arquivo Nacional, da Receita Federal, dos ministérios da Saúde, do Planejamento, das Relações Exteriores, do Meio Ambiente e da Justiça, entre outros. O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) informou que dez agências reguladoras aderiram ao movimento.
Após apresentar proposta de aumento de 15,8%, dividido em três anos, o governo encerrou no dia 26 de agosto as negociações com os servidores. Policiais federais e funcionários do Incra foram as únicas classes que continuaram em greve após o fim das negociações. O orçamento anual do governo, com a previsão de gastos com a folha de pagamentos dos servidores em 2013, foi enviado ao Congresso em 30 de agosto.






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