Novo diretor-geral da corporação, Luiz Fernando Corrêa toma posse, muda diretoria e mostra que tentará evitar exploração de imagens das grandes operações, a partir de regras listadas em manual
Edson Luiz
Da equipe do Correio
| Edilson Rodrigues/CB |
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| Corrêa (E), o novo diretor-geral da PF, com Lacerda: ''O destaque da PF não deve ser uma imagem, mas o conteúdo da investigação” |
Com a presença dos ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, além do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, a posse de Corrêa foi concorrida e cheia de recados. Tanto do empossado, quanto de Genro. ''Fico triste quando leio que a indicação tenha ligação político partidária”, afirmou Corrêa em seu discurso, descartando, em seguida, que tivesse entrado no governo por meio de políticos. Quando seu nome estava sendo lançado para o cargo, chegou a se especular que ele seria uma pessoa ligada ao ex-deputado José Dirceu.
Segundo Corrêa, um manual de procedimentos, criado no apagar das luzes da gestão de Paulo Lacerda, será usado para evitar a exploração da imagem da instituição. ''O destaque da Polícia Federal não deve ser necessariamente uma imagem, mas o conteúdo de uma investigação e da prisão. É mais do que ver uma pessoa sendo jogada em um camburão. Jogada como uma carga”, ressaltou o novo diretor. O discurso segue a mesma linha do de Tarso Genro, que voltou a falar ontem em diminuir a exploração da imagem dos presos. ''Por isso é que foi feito o manual de procedimento. Ele (Lacerda) está nos passando isso. Isso é uma maturidade”, disse.
Paulo Lacerda levou pelo menos 20 minutos para relatar, em um discurso de 15 laudas, tudo o que fez dentro da instituição. Mostrou números, elencou todas as ações desenvolvidas em quatro anos e seis meses de gestão e citou uma pesquisa feita entre funcionários da Polícia Federal para mostrar a seu sucessor como está hoje a instituição. Segundo a pesquisa, 80,5% dos entrevistados estão satisfeitos com a PF. ''Esse certamente foi um dos fatores que, desde o início do nosso trabalho, influiu afirmativamente na predisposição de todos, para que juntos conseguíssemos vencer os obstáculos”, disse Lacerda.
| personagem da notícia Experiência em apuração Gaúcho de 49 anos, Luiz Fernando Corrêa entrou na Polícia Federal como agente, atuando por mais de 14 anos na área de repressão a entorpecentes, uma de suas especialidades. Como delegado, também se dedicou à área de inteligência policial, sendo o responsável pela criação da Missão Suporte, uma unidade localizada no Rio de Janeiro especializada em conduzir investigações sigilosas em todo o país. Em Brasília, onde foi o segundo homem na superintendência, teve destaque na condução da apuração sobre grilagem de terras, além de ter sido membro de uma missão especial que combateu o crime organizado no Espírito Santo. Antes de assumir a PF, Corrêa estava à frente da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), onde criou a Força Nacional de Segurança, que, de criticada, passou a ser elogiada depois da atuação nos Jogos Pan-Americanos e nas ações desencadeadas com a polícia fluminense. O novo diretor foi quem implantou o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), um dos carros-chefe do Ministério da Justiça nesse setor. Corrêa chamou para as diretorias de Combate ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Logística, Técnica-científica e de Gestão de Pessoal, além da chefia de gabinete e direção executiva, os delegados Romero Lucena Menezes, Roberto Troncon Filho, Daniel Lorenz, Luiz Pontel de Souza, Joaquim Mesquita, Paulo Roberto Fagundes e Rômulo Berredo, respectivamente. (EL) |
| Análise de escutas O futuro diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, pretende discutir com o Congresso possibilidade de a instituição ser autorizada a fazer escutas telefônicas. Lacerda, que deixou ontem a direção da Polícia Federal, admite que o tema é polêmico, mas defendeu que as interceptações poderiam ser feitas em casos de sabotagem e terrorismo. Mesmo assim, com autorização judicial. ''Esse, com certeza, é um tema que precisa ser discutido. Temos que ser rigorosos quanto a isso nessas questões”, afirmou Lacerda, cuja indicação ao Senado, onde será sabatinado, deverá ocorrer nos próximos dias. Mesmo admitindo que poderá ceder, a adoção desse tipo de procedimento merece mais reflexão. ''Ainda não é uma posição totalmente fechada”, ressaltou o ex-diretor da Polícia Federal. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Jorge Félix, confirmou a existência de estudos na Abin, que irá modificar suas formas de procedimentos, e uma delas é a escuta telefônica. Félix elogiou a indicação de Paulo Lacerda para a agência. ''É um excelente quadro”, afirmou, revelando que o nome do ex-diretor da PF foi uma escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Não houve uma indicação, mas uma decisão do presidente”, ressaltou o ministro. (EL) |







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