Em busca de melhores condições de vida, chineses entram no país por Rondônia com a ajuda de aliciadores. Brasília é um dos destinos
A Polícia Federal investiga uma quadrilha que estaria facilitando a entrada ilegal de chineses no Brasil. A rota escolhida é a partir de Rondônia, de onde os orientais seguem para São Paulo e para a Região Centro-Oeste, principalmente Brasília. Nos últimos meses, diversos grupos de imigrantes foram encontrados escondidos em pequenos hotéis ou viajando pelo interior paulista. Há duas semanas, o Ministério Público Federal denunciou uma mulher acusada de introduzir os estrangeiros no país, e a Justiça condenou dois homens pelo mesmo crime.
Com base nas apurações feitas até agora e nos depoimentos tomados, a PF descobriu que os estrangeiros começam a viagem para o Brasil pela Malásia e chegam à América do Sul pelo Equador, seguindo para Venezuela ou Colômbia. Depois, chegam à Bolívia, principalmente via Guayara-Merin, que faz fronteira com a cidade brasileira de Guajará-Mirim. Outra rota começa no departamento boliviano de Pando, que faz divisa com Brasiléia, no Acre. “A incidência de chineses ilegais está sendo muito grande em Rondônia”, confirma o superintendente da PF no estado, Nei Ferreira.
Da fronteira, os chineses seguem em táxis, veículos particulares ou ônibus para Porto Velho, com agenciadores brasileiros, e seguem viagem com destino a São Paulo e à Região Centro-Oeste. “Muitos deles vão para a Feira dos Importados, em Brasília”, afirma Ferreira. Segundo o superintendente da PF, nos depoimentos os chineses alegam que deixam seu país em busca de trabalho e melhores condições de vida. “Todos alegam que estão à procura de emprego”, diz o delegado.
Aliciadores
A situação preocupa o Ministério Público Federal em Rondônia, que trabalha com a hipótese de uma quadrilha especializada, formada por brasileiros. “Essa prática é verificada principalmente em relação a chineses que entram no Brasil pela Bolívia”, afirma o procurador da República, Heitor Soares.
Recentemente, ele denunciou uma mulher presa em 25 de dezembro, por esconder pertences de Huijuan Zhou, Zhenlin Gong, Junyao Xiao e Weixin Chen em um hotel em Vilhena, a 600km de Porto Velho. Os chineses já haviam sido levados para a cidade de Pimenta Bueno por um taxista contratado. À Polícia Federal, a suposta aliciadora contou que levou outros orientais de Porto Velho para Ji-Paraná e Presidente Médici, também no interior do estado.
“Nós fizemos várias abordagens de chineses, mas não os prendemos. Eles prestam depoimento e são notificados para deixar o país em três dias”, afirma Nei Ferreira. Segundo ele, o principal alvo da Polícia Federal são os aliciadores e aqueles que introduzem os chineses em território nacional. “Eles, sim, cometem crime. Os aliciadores recebem dinheiro para ajudar na entrada dos imigrantes ilegais”, acrescenta o superintendente da PF
Segundo o delegado da PF, o perfil dos imigrantes ilegais é o mesmo. “São todos jovens, na faixa etária de






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