A Polícia Federal investiga a possibilidade de um operador de câmera da emissora TV Globo ter feito as imagens da suposta tentativa de suborno contra um delegado federal A informação de que uma emissora televisiva participou da ação controlada – autorizada pelo juiz – foi divulgada ontem pelo colunista Jânio de Freitas, da Folha de S. Paulo. Em 18 de junho passado, o delegado da PF Victor Hugo Ferreira reuniu-se com o professor universitário Hugo Chicaroni e o ex-diretor da Brasil Telecom Humberto Braz no restaurante El Tranvia, na capital paulista. Victor Hugo agia sob as ordens do delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha. A conversa, captada por imagens, girou em torno de uma suposta tentativa de pagamento de suborno ao delegado para tentar brecar a investigação da PF contra Daniel Dantas. Segundo a reportagem, um câmera foi identificado como o autor da gravação. Antes da tentativa de armar um flagrante, o operador testou o equipamento no banheiro do restaurante. Ele teria sido “até agora identificado como da equipe da TV Globo ou prestador de serviço à TV”. Alguns investigadores, porém, consideram remota o uso da imagem da emissora. Segundo eles, a ação controlada se valeu de uma imagem de um aparelho de celular de um dos cinco agentes da equipe de Protógenes Ao Correio, Fausto De Sanctis negou a informação veiculada pela Folha. O juiz declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a PF dispõe dos recursos e dos instrumentos para fazer esse tipo de operação. Nos autos consta, de acordo com De Sanctis, que a filmagem foi produzida por agentes da PF que participaram da investigação. O juiz sustentou ainda que são legais as provas da tentativa de suborno feito em nome de Dantas. Oficialmente, a PF não comentou ontem o assunto. Por causa do recesso de fim de ano, a assessoria de imprensa da Globo disse que também não falaria sobre o caso esta semana. Procurado em casa e por meio do seu celular, Protógenes não retornou às ligações. |
Entenda o caso Dias de tensão
O banqueiro Daniel Dantas foi investigado pela PF, pelo Ministério Público Federal e pela CPI dos Correios por suposto envolvimento no esquema do mensalão. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações, os policiais apuraram a existência de uma suposta organização criminosa envolvida com a prática de diversos crimes.
O grupo de Dantas atuaria, segundo a PF, com outro braço do esquema, que seria chefiado pelo investidor Naji Nahas e formado por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para realizar lavagens de dinheiro. De acordo com a PF, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta utilizaria o esquema.
Em julho, os empresários e o ex-prefeito Celso Pitta foram presos pelos agentes da PF, comandados pelo delegado Protógenes Queiroz, por decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Dantas foi libertado depois de 48 horas por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que acatou um habeas corpus impetrado por advogados. Cerca de 10 horas depois que Dantas deixou a carceragem da Superintendência da PF
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