ESQUENTA A BRIGA INTERNA PARA COMANDAR A ABIN – Correio Braziliense
O general Jorge Félix (D) tenta manter o prestígio dentro do Palácio do Planalto com a escolha do substituto do ex-diretor Paulo Lacerda (E) A queda do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, vai trazer à tona uma disputa que já ocorre há pelo menos um mês nos bastidores da corporação: quem substituirá Lacerda? Pelo menos dois grupos articulam politicamente a primazia da escolha que será submetida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De um lado, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, a quem a agência é funcionalmente subordinada, e o recém-empossado presidente da Associação dos Servidores da Abin (Asbin), Robson Vignoli. Do outro, pessoas ligadas ao ex-presidente da Asbin Nery Kluwe. O nome escolhido pelo presidente terá se ser aprovado em sabatina no Senado, o que deve ocorrer somente a partir de fevereiro, na volta do recesso parlamentar. Mas as negociações políticas já correm solta. Nos próximos dias, o atual presidente da Asbin tentará marcar um encontro com o ministro Jorge Félix para reforçar o anseio da categoria em escolher alguém ligado diretamente à agência. “O desejo é de que a cadeira seja ocupada por um oficial de inteligência”, afirma Robson Vignolli. No governo Lula, a Abin já foi comandada pelos delegados Paulo Lacerda, aposentado da Polícia Federal, e Mauro Marcelo, da Polícia Civil paulista. Jorge Félix ainda tem um terceiro candidato, que é o atual subchefe de Assuntos Estratégicos do GSI, Macedo Soares. Embaixador de formação, mas que não ocupa há 10 anos um cargo na chancelaria, Soares busca fortalecer seu nome dentro da agência. Ele esteve até na posse de Robson Vignoli no início do mês passado. Satiagraha O grupo ligado a Kluwe é simpático à candidatura de Christian Scheneider, atual diretor da Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste do Ministério da Integração Nacional. O próprio Schneider, nome já rejeitado pelo ministro do GSI, costura sua candidatura pelo Congresso e pelo Executivo. Em 2006, ele candidatou-se a deputado federal em Brasília pelo PTB e tem o apoio do ministro de Relações Institucionais, o correligionário José Múcio Monteiro. A aposta deles é que a falta de prestígio político de Jorge Félix faça com que o nome de Christian Scheneider emplaque. Ainda há o chefe interino da Abin, Wilson Trezza, com chances remotas de ser efetivado. Os currículos com os cinco nomes já chegaram a ser analisados pelo chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Mas o presidente, depois de demorar quatro meses para demitir Lacerda, dando-lhe como prêmio de consolação o cargo de adido policial em Portugal, deve fazer a indicação em breve. |
Crise de identidade é o problema
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