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jan 06

DANÇA DE CARGOS NA ABIN E NA PF – Correio Braziliense

  • 6 de janeiro de 2009
  • Notícias

Pelo menos 10 pessoas ligadas ao ex-dirigente da Agência Brasileira de Inteligência devem deixar os postos no serviço secreto. Polícia Federal cria representações internacionais e remaneja diretores


Paulo Lacerda: delegado será adido policial em Portugal

Depois da demissão do delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no fim do ano passado, pelo menos outras 10 pessoas ligadas ao ex-dirigente podem deixar seus cargos nos próximos dias. A reformulação, no entanto, não vai se restringir ao serviço secreto brasileiro e seu antigo chefe. A Polícia Federal também começa 2009 com o remanejamento de alguns diretores, que trocam de funções. A PF ainda criou mais duas representações, além de Portugal, para onde Lacerda foi nomeado adido policial.

Na primeira leva de demissões na Abin, além de Lacerda, saiu seu assessor mais próximo, Renato da Porciúncula, que era diretor de Inteligência Policial na PF. Porém, outras pessoas ligadas ao ex-diretor podem deixar a agência com a reformulação que será feita pelo Palácio do Planalto. Hoje, estão em postos considerados importantes os delegados Ivo Valério de Souza, chefe de gabinete de Lacerda, Alciomar Poerscht, coordenador de controle interno, e Maria do Socorro Tinoco, corregedora-geral.

Lacerda volta para a Polícia Federal depois de ter passado cinco anos como diretor-geral, mais de 30 como delegado, e de onde saiu para comandar a Abin. Na agência, passou pouco mais de um ano e foi afastado por causa das suspeitas de que a corporação havia feito escutas ilegais no Supremo Tribunal Federal (STF). De ex-chefe do serviço secreto brasileiro, Lacerda passará a adido policial em Portugal, uma função normalmente dada a delegados antigos e com experiências em algumas áreas.

Hoje, a PF tem oito adidâncias policiais criadas na Argentina, Bolívia, Colômbia, França, Paraguai, Uruguai, Suriname e Portugal. Segundo a direção da corporação, serão anunciados ainda este mês os nomes dos adidos que atuarão na Itália e nos Estados Unidos, países que terão representações nos próximos dias. O cargo hoje é um dos mais disputados dentro da instituição, por oferecer salário em dólares, estabilidade de dois anos e com todas as prerrogativas diplomáticas.

Seleção
Lacerda será o único representante brasileiro no exterior que não passou por um processo de seleção e é delegado aposentado. Ontem, ele esteve na sede da Abin conversando com antigos colaboradores e depois teria encontros com superiores. O novo diretor da agência só deverá ser conhecido no fim do mês, com a volta do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix. A data da posse do novo adido policial em Lisboa ainda não está definida.

A nomeação de Lacerda também não é a única alteração que a Polícia Federal passará. Com a exoneração do diretor executivo, Romero Lucena de Menezes, que chegou a ser preso acusado de favorecer negócios do irmão na PF, houve uma mudança de funções. Para o cargo de Menezes irá o atual diretor de Gestão de Pessoal, Luiz Pontel de Souza. Seu posto será ocupado pelo delegado Joaquim Mesquita, que deixa a Diretoria de Logística Policial para um superintendente que será escolhido pela cúpula da corporação.

Os adidos brasileiros


Até o primeiro semestre deste ano, o Brasil terá 10 adidâncias policiais. Atualmente, oito delas estão ocupadas pela PF:

 Argentina – Mariam Ibrahim, ex-diretora de Inteligência

 Bolívia – Clóvis Monteiro, vindo Ministério da Justiça

 Colômbia – Alberto Lasserre Júnior, ex-chefe da Interpol

 França – Augusto Serra, ex-superintendente no Piauí

 Paraguai – Bergson Silva, ex-superintendente em Alagoas

 Suriname – José da Hora, ex-delegado em Alagoas

 Uruguai – Viviane da Rosa, ex-diretora da academia

 Portugal – Paulo Lacerda, ex-diretor da PF e da Abin


para saber mais

Criação na ditadura


O cargo de adido policial foi criado durante o regime militar e extinto no período da redemocratização. Com os acordos internacionais de combate ao tráfico de drogas, a partir de 2000, a função voltou a fazer parte da estrutura da Polícia Federal. Inicialmente foram definidas adidâncias nas embaixadas brasileiras do Paraguai, Argentina e Colômbia. Hoje são 10 postos, inclusive dois na Europa (França e Portugal) e os demais nos países da América do Sul que fazem fronteira com o Brasil.


O adido policial funciona como elemento de ligação entre a polícia brasileira e as autoridades do país em que serve. A tarefa é facilitar o trâmite burocrático de documentos do setor. Um exemplo disso foi a atuação do delegado Augusto César Serra Pinto durante a prisão do banqueiro Salvatore Cacciola. Coube a ele, como adido policial em Paris, preparar a extradição do ex-controlador do Banco Marka.


A maior parte dos países com os quais o Brasil mantém relação diplomática possui adidos policiais em território nacional. Os EUA, além de dois representantes do FBI (a polícia federal americana), têm seis policiais da Drug Enforcement Administracion (DEA) e agência antinarcótico.

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