Pelo menos 10 pessoas ligadas ao ex-dirigente da Agência Brasileira de Inteligência devem deixar os postos no serviço secreto. Polícia Federal cria representações internacionais e remaneja diretores

Paulo Lacerda: delegado será adido policial em Portugal
Depois da demissão do delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no fim do ano passado, pelo menos outras 10 pessoas ligadas ao ex-dirigente podem deixar seus cargos nos próximos dias. A reformulação, no entanto, não vai se restringir ao serviço secreto brasileiro e seu antigo chefe. A Polícia Federal também começa 2009 com o remanejamento de alguns diretores, que trocam de funções. A PF ainda criou mais duas representações, além de Portugal, para onde Lacerda foi nomeado adido policial.
Na primeira leva de demissões na Abin, além de Lacerda, saiu seu assessor mais próximo, Renato da Porciúncula, que era diretor de Inteligência Policial na PF. Porém, outras pessoas ligadas ao ex-diretor podem deixar a agência com a reformulação que será feita pelo Palácio do Planalto. Hoje, estão em postos considerados importantes os delegados Ivo Valério de Souza, chefe de gabinete de Lacerda, Alciomar Poerscht, coordenador de controle interno, e Maria do Socorro Tinoco, corregedora-geral.
Lacerda volta para a Polícia Federal depois de ter passado cinco anos como diretor-geral, mais de 30 como delegado, e de onde saiu para comandar a Abin. Na agência, passou pouco mais de um ano e foi afastado por causa das suspeitas de que a corporação havia feito escutas ilegais no Supremo Tribunal Federal (STF). De ex-chefe do serviço secreto brasileiro, Lacerda passará a adido policial em Portugal, uma função normalmente dada a delegados antigos e com experiências em algumas áreas.
Hoje, a PF tem oito adidâncias policiais criadas na Argentina, Bolívia, Colômbia, França, Paraguai, Uruguai, Suriname e Portugal. Segundo a direção da corporação, serão anunciados ainda este mês os nomes dos adidos que atuarão na Itália e nos Estados Unidos, países que terão representações nos próximos dias. O cargo hoje é um dos mais disputados dentro da instituição, por oferecer salário em dólares, estabilidade de dois anos e com todas as prerrogativas diplomáticas.
Seleção
Lacerda será o único representante brasileiro no exterior que não passou por um processo de seleção e é delegado aposentado. Ontem, ele esteve na sede da Abin conversando com antigos colaboradores e depois teria encontros com superiores. O novo diretor da agência só deverá ser conhecido no fim do mês, com a volta do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix. A data da posse do novo adido policial em Lisboa ainda não está definida.
A nomeação de Lacerda também não é a única alteração que a Polícia Federal passará. Com a exoneração do diretor executivo, Romero Lucena de Menezes, que chegou a ser preso acusado de favorecer negócios do irmão na PF, houve uma mudança de funções. Para o cargo de Menezes irá o atual diretor de Gestão de Pessoal, Luiz Pontel de Souza. Seu posto será ocupado pelo delegado Joaquim Mesquita, que deixa a Diretoria de Logística Policial para um superintendente que será escolhido pela cúpula da corporação.
Os adidos brasileiros
Argentina – Mariam Ibrahim, ex-diretora de Inteligência Bolívia – Clóvis Monteiro, vindo Ministério da Justiça Colômbia – Alberto Lasserre Júnior, ex-chefe da Interpol França – Augusto Serra, ex-superintendente no Piauí Paraguai – Bergson Silva, ex-superintendente em Alagoas Suriname – José da Hora, ex-delegado em Alagoas Uruguai – Viviane da Rosa, ex-diretora da academia Portugal – Paulo Lacerda, ex-diretor da PF e da Abin |
para saber mais Criação na ditadura
|






Comments are closed.