A principal alteração promovida pelo diretor-geral que tomou posse em setembro de 2007, Luiz Fernando Corrêa, na rotina das operações da Polícia Federal, foi a descentralização das operações especiais consideradas mais sensíveis, incluindo as gestadas pela DIP (Diretoria de Inteligência Policial), ligada ao gabinete do diretor,
Até 2007, as equipes da inteligência policial de Brasília procuravam preservar seus segredos até o ato das prisões dos investigados. A participação dos Estados era apenas marginal -cediam pessoal para cumprir os mandados de prisão e de busca e apreensão, organizavam as celas para acomodar os presos, cediam e preparavam os carros policiais, entre outros detalhes burocráticos. Era uma forma encontrada pela gestão do então diretor-geral, Paulo Lacerda, de reforçar o sigilo das investigações. Exemplos de operações desencadeadas sob esse princípio foram a Anaconda, em 2003, que investigou suposta venda de sentenças judiciais, e a Chacal, em 2004, que investigou o banqueiro Daniel Dantas e a empresa Kroll por suposta espionagem, ambas ocorridas
O compartilhamento dos detalhes das operações está na base dos problemas de hierarquia surgidos na Operação Satiagraha. Ao deixar o comando da Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz revelou ter sido pressionado a entregar aos dirigentes da PF
Segundo uma entrevista concedida por Corrêa em dezembro passado, apenas quatro operações especiais foram comandadas por Brasília em 2008. Em entrevista publicada pela Folha em setembro, Corrêa procurou justificar a descentralização, que ele chama de “questão central” de sua administração: “Toda administração centralizada contraria qualquer boa técnica de gestão. Mas ela era consequência e necessária. A administração de Paulo Lacerda, quando centralizou, estava num momento de redesenhar a cúpula da polícia






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