Edson Luiz
O delegado Protógenes Queiroz e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda, foram novamente convocados para prestar depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das escutas telefônicas. Na reunião de ontem, a primeira desde a prorrogação dos trabalhos, os deputados também decidiram tornar públicos os documentos sobre os vazamentos da Operação Satiagraha enviados pela Justiça Federal de São Paulo. A ação da Polícia Federal, realizada em julho do ano passado por Protógenes, gerou polêmica e crise nos três poderes, culminando com a saída de Lacerda da Abin e o afastamento do delegado das investigações.
Apesar da convocação, Lacerda dificilmente comparecerá à sessão, já que foi nomeado adido policial na Embaixada do Brasil em Portugal. Em uma carta endereçada ao relator da CPI, Nelson Pellegrino (PT-BA), o ex-diretor da Abin afirmou que não teria mais nenhum esclarecimento para ser feito. Na correspondência, Lacerda diz que não teria mais o que acrescentar aos depoimentos anteriores. “No intuito de colher subsídios para detectar os pontos de divergência, realizei minuciosa revisão das transcrições dos depoimentos que prestei a essa comissão, não encontrando de forma clara e objetiva alguma afirmação de minha autoria que se contraponha aos fatos novos, à luz do que eu tinha conhecimento à época, ou que me era exigível saber no nível da função que eu exercia naquela agência”, afirmou.
Além de Protógenes e Paulo Lacerda, a CPI decidiu convidar o ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado José Dirceu e do senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), que teria denunciado que fora grampeado. Em São Paulo, os deputados se reunirão com os juízes Fausto de Sanctis, que cuida do processo da Operação Satiagraha, e Ali Mazloum, que cuida dos vazamentos da ação da PF. O cronograma da CPI inclui, ainda, novos depoimentos de agentes da Abin que tiveram acesso à investigação. Entre eles, Francisco Ambrósio do Nascimento e Márcio Seltz, colaboradores de Protógenes. Denúncias sobre suspostas gravações de autoridades do governo fizeram com que a CPI reabrisse seus trabalhos.
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