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mar 13

MULHER – VIOLÊNCIA e FLORES, por Luís Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 13 de março de 2009
  • Notícias

 

Começo nosso artigo parabenizando as mulheres pelo seu dia e desejando que todas recebam de presente muitas flores, amor e carinho. E principalmente a esperança de um mundo sem violência ou, pelo menos, quando vivam alguma situação de brutalidade recebam uma contrapartida do Estado, com eficiência no atendimento da vítima e agilidade na conclusão dos procedimentos.

 

Na Capital Federal é comum se noticiar casos em que um marido ciumento, ou após uma bebedeira, resolve transformar a companheira em um saco de pancadas. O motivo é sempre fútil e deixará marcas por toda a vida dos envolvidos e dos filhos que, certamente carregarão os traumas das cenas vivenciadas.

 

Está em vigor a Lei “Maria da Penha”. Esta veio fazer parte do sistema buscando dar mais segurança à mulher, por meio da conseqüente punição ao agressor. É certo que, em muitos casos, os laços familiares e o sentimento superam a dor e a agredida acaba por modificar o depoimento trazendo justificativas para proteger o homem. Todos sabem que, em muitos casos, essa modificação acontece por medo ou por falta de opção da mulher.

 

Deixamos aqui nossa contribuição às mulheres que sofreram qualquer tipo de violência. Pois independente dos motivos que culminaram com a agressão, temos a certeza que nada justifica tal ato insano e certamente poderia ser substituído por uma conversa. Na pior das hipóteses, se não concordam com a conversa e se não conseguem mais conviver como casal, então que se separem e cada um que cuide de si, longe do outro. Porrada não combina com amor e quem precisar descontar em alguém, seus altos índices de testosterona, que procure uma academia ou que desafie um outro homem igual ou mais forte.

 

Aliás, será que esse valentão que bate na mãe de seus filhos, tem coragem para desafiar alguém mais forte do que ele? Na maioria das vezes, a resposta é negativa e esse durão, na verdade, é um pobre coitado que tem problemas no trabalho ou está desempregado. Certamente bebe demais ou vem de uma família desestruturada e repete o que viu na infância.

 

Alguns homens que se travestem de machão, muitas vezes, sentem grandes conflitos na área da sexualidade. Alguns até impotentes ou que, sem desejo sexual, justificam a ausência na cama, depois de muita cachaça, com insultos à companheira e violência por conta de alguma reclamação.

 

É certo também, que na hora em que a mulher percebe que o homem está drogado ou embriagado, deve evitar discussões. O melhor mesmo é se afastar. Deve tentar adiar uma discussão desnecessária e abordar o problema quando o marido estiver sóbrio, pois essa pequena atitude pode salvar sua pele.

 

Proteja seus filhos, mas não enfrente um louco violento. Caso não tenha para onde ir, fique em casa e se for objeto de violência, procure as autoridades. Não denunciar um ato de brutalidade é permitir que tudo ocorra novamente. Polícia, Corpo de Bombeiros, Ministério Público, certamente ajudarão. Também é imprescindível chamar a atenção dos vizinhos e principalmente da própria família. A união faz a força e com a ajuda de pessoas com que se tem vínculos de bem querer, é possível fazer com que o mal se acabe ou que o violento se afaste.

 

Recentemente um caso de violência, já comentada nessa coluna e que chocou todo o país, reforça a tese da falta de unidade familiar. O namorado louco que prendeu a amada, tentando recuperar o seu amor. “Se Eloá não for minha, não será de mais ninguém”, disse de forma insana, horas antes de assassinar a menina de apenas 15 anos. E ainda foi além, ferindo a amiga, também seqüestrada. O caso chocou o Brasil, mas não nos esqueçamos que o namoro acontecia com a aprovação do pai, que o conhecia muito bem, até pelo fato de trabalharem juntos. Pai esse, policial foragido, que a época, era acusado de participar de grupo de extermínio em Alagoas.

 

A família ainda é a mais forte de todas as instituições. Mesmo que venha a Internet, os games violentos, e a televisão, influenciando as gerações, não se pode admitir que alguém mais forte, abuse da sua condição e ataque uma pessoa mais frágil. Essa pessoa pode, muitas vezes, estar impedida de reagir por conta da sua situação familiar.

 

Outra grande violência que é dirigida à mulher, se refere aos casos de estupro e violência sexual. Mulheres são obrigadas a cederam, à força, a um homem enlouquecido, que resolve tomar posse de um corpo que não lhe pertence. Quando a mulher reage, a violência pode aumentar, em níveis inimagináveis, muitas vezes, causando a morte.

 

Maridos obrigam a mulher a fazerem coisas que não desejam. Namorados exigem que suas fantasias sejam satisfeitas à força. E infelizmente, muitos pais se aproveitam das filhas, até engravidando-as e se tornando, ao mesmo tempo pai e avô. Nesses casos, muitas vezes, a mãe é omissa e teme por sua vida ou de sua cria e nada faz, e o bruto maníaco continua a proliferar a violência com a certeza da impunidade.

 

Uma atitude social é o auxílio do sistema público atuando de acordo. Os serviços sociais podem e devem se colocar à disposição promovendo campanhas preventivas e elucidativas mais contundentes e de modo que, as vítimas sintam-se seguras para procurar defender-se e denunciar os agressores.

 

Outro detalhe que jamais deve ser esquecido é que esse tipo de violência não tem fronteira e, muito menos, se restringe a uma classe específica. Ricos e pobres, Lago Sul e periferia, funcionários públicos e trabalhadores estão sujeitos a fazerem parte das estatísticas da violência contra a mulher.

 

Espero, com essas linhas, poder ter contribuído para essas mulheres vítimas de alguns desequilibrados, tendo certeza que o conhecimento dos fatos e reconhecendo o problema, já terá sido dado o primeiro passo para se procurar a solução e se afastar dessa brutalidade.

 

Apesar dos avanços na representatividade e da modernidade das relações de trabalho, sabemos que ainda, o espaço reservado às mulheres, não é igual ao dos homens. Salários, chefias, promoções e reconhecimento, não são dados da mesma forma para os dois sexos. Porém, temos certeza que as mulheres farão sua parte. Agradeço por fim às mulheres policiais que se destacam no combate a esse tipo de violência, orientando e defendendo as vítimas e afastando-as dos agressores.

 

(*) Luís Cláudio Avelar é presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF.

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