Conheça o pensamento de um delegado, que apesar de anônimo, reflete o sentimento da categoria policial federal. O sindicato de Brasília parabeniza o voto consciente.
Colegas,
Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar por não poder me identificar. Sou Delegado de Polícia Federal, após passar vários anos como APF e, mesmo ocupando o cargo privilegiado no DPF, não concordo com a realidade atual da Polícia Federal. Não é pelo fato de ter passado em um concurso que deixei de refletir a respeito da nossa realidade, que não está nem perto da ideal. E digo isso por uma série de motivos.
Gostaria muito que o cargo único fosse realidade no DPF. Não há outra maneira de pacificar a instituição, pois a guerra que hoje existe é fruto de uma política arcaica de pessoal e carreira que não beneficia ninguém. Não dá pra admitir que, em um órgão como o nosso, exista concurso para chefe. Eu mesmo passei toda a minha carreira de agente sendo comandado por pessoas sem experiência, que são doutrinados para ser parte de uma casta de sangue azul. Não interessa o quanto possa ser incompetente um Delegado, ele sempre vai ser chefe. E não estou dizendo que não existam agentes, escrivães ou papiloscopistas também incompetentes e descompromissados, mas em todos os cargos há.
Já fui comandado, enquanto agente, por delegados que não tinham a menor condição de exercer qualquer tipo de chefia, mas mesmo assim eles eram chefes, ainda que todos os outros delegados, e muitas vezes até o superintendente, soubesse da incapacidade do colega. E hoje acredito que existem vários agentes, escrivães e papiloscopistas que poderiam muito facilmente me chefiar, pois são muito mais capacitados do que eu.
Hoje exerço a condição de chefe substituto da minha delegacia, e sinceramente tenho muitas dificuldades em resolver os problemas que são trazidos a mim, simplesmente pelo fato de que eu não fui formado para isso. O meu curso de delegado foi igualzinho ao de agente, com uma única diferença: na ANP eles não se cansam de falar para nós que temos que manter a distância dos outros cargos, que somos carreira jurídica, que somos melhores e mais preparados e todo tipo de besteira que não acrescenta nada.
E o que me deixa mais perplexo é que a administração do DPF não fazer nada a respeito. Ficam reféns da ADPF, que é um centro de pensamentos retrógrados que não colaboram em nada para a sociedade. Muitos delegados estão muito mais preocupados em botar a turma pra trabalhar e colher os resultados do trabalho, porque querem subir na carreira. E o pior é que muitos deles conseguem, até porque o delegado é o único que tem carreira no DPF. Os outros fazem o trabalho pesado e não têm nenhum reconhecimento em troca. Temos que dar um basta nisso.
Volto a me desculpar por não me identificar, mas se “meus pares” descobrirem que tenho essas idéias, serei crucificado, porque não se pode imaginar que um “nobre” compre a causa dos “vassalos”, aliando-se a eles, mesmo que seja buscando o único meio que solucionará a questão interna do DPF: o cargo único.






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