Líderes do DEM engrossam o discurso contra o governador do DF, embora ele ainda possa se defender. Parlamentares admitem que apenas a saída de Arruda do partido evitará o desgaste da legenda nas eleições
• Daniela Lima
A expulsão do governador José Roberto Arruda de seu partido, o Democratas, é dada como certa pelos líderes da legenda em Brasília. Pressionados pela opinião pública, desde ontem parlamentares da sigla engrossaram o discurso. Nos bastidores, dizem que o prazo de oito dias dado ao chefe do Executivo no DF para apresentação de defesa foi o cumprimento de uma formalidade — “uma satisfação” ao único governante eleito pelo DEM em 2006 — e que não há condições de manter o homem apontado como pivô de um suposto esquema de distribuição de propina entre os filiados.
Acuado pelo eleitorado, o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), vice-líder da legenda, disse que deixará o partido se Arruda não sair do DEM. “Sei que o partido tomará uma decisão. E, para confirmar, digo que não faz sentido continuar no Democratas se isso não acontecer”, afirmou ao Correio. O desfecho para o destino de Arruda está marcado para o próximo dia 10, quando a Executiva da legenda votará parecer do ex-deputado José Thomaz Nonô sobre a expulsão do governador.
A expulsão será um golpe forte para os planos de Arruda. Fora da sigla, ele ficará impedido de concorrer a qualquer cargo nas próximas eleições. O governador não poderá sequer escolher outra legenda, já que o prazo para filiação acabou em outubro deste ano.
O líder da Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), também defendeu a saída de Arruda. Em textos que publicou no Twitter (miniblog que virou febre entre parlamentares), foi categórico. “Vamos concluir esse processo no dia 10, e a conclusão será pela expulsão de Arruda”, escreveu. “Primeiro puniremos o mais importante e, depois, os demais”, completou, referindo-se a outros integrantes(1) da legenda apontados no inquérito da Polícia Federal (PF).
A grande preocupação do Democratas é o peso que denúncias como as feitas pela PF têm sobre o eleitorado a menos de um ano das eleições. Além disso, o partido teme o isolamento político. O PSDB, parceiro do DEM na escalada rumo às eleições nacionais em 2010, abandonou o barco da política local. Na tentativa de evitar que o tal “mensalão de Brasília” chegue aos debates durante as próximas campanhas presidenciais, os tucanos determinaram o afastamento imediato de todos os seus filiados do governo do DF. Fez mais: tratou o problema como local, para desvincular seus possíveis candidatos ao Palácio do Planalto dos recentes escândalos.
Cada um por si
Os parlamentares do próprio DEM também não querem arcar com o desgaste de dar suporte a um homem que enfrenta acusações. Em tempos de eleição, alegam, o jargão cada um por si e Deus por todos vale como nunca. “Como é que podemos cobrar o apoio de outros partidos a uma pessoa que nós queremos ver fora do nosso?”, ressaltou um cacique da legenda.
Depois que resolver o “caso Arruda”, o Democratas vai intensificar a campanha de resgate da imagem da sigla, trabalho que já começou. “Vamos sair fortalecidos. A transferência do discurso (da expulsão) para a prática fará com que todos vejam que não só uma mudança de nome do PFL (antiga nomeclatura do DEM). Foi uma mudança de comportamento”, pregou Caiado.
1 – Beneficiados
Nomes como o do vice-governador Paulo Octávio e o do deputado distrital Leonardo Prudente são citados na investigação do suposto esquema de compra de assessores e aliados políticos com dinheiro repassado por empresas contratadas pelo GDF. Prudente se afastou do cargo de presidente da Câmara Legislativa, após a divulgação do vídeo no qual esconde dinheiro nas meias. Paulo Octávio não aparece em filmagens, mas é mencionado em conversas gravadas como um dos beneficiados do esquema.






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