Com o receio de que a Câmara Legislativa do Distrito Federal decretasse o recesso parlamentar de fim de ano antes que os deputados distritais pudessem analisar os pedidos de impeachment contra o governador José Roberto Arruda, a oposição se antecipou e leu terça-feira em plenário o requerimento para autoconvocação da Casa durante o recesso parlamentar, o que pode garantir a análise dos processos contra o governador. Após a leitura, contudo, a base governista apresentou um parecer com o entendimento de que é preciso colocar em votação a autoconvocação. Já os oposicionistas sustentam que, de acordo com a Lei Orgânica do DF, a leitura do requerimento seria suficiente para suspender o recesso previsto para começar quarta-feira.
A base aliada quer atrasar a análise dos pedidos de afastamento, a instalação da CPI para investigar o suposto esquema de pagamento de propina de Arruda para deputados distritais e a avaliação dos processos de quebra de decoro parlamentar contra oito distritais que são citados no inquérito do Superior Tribunal de Justiça. Alguns distritais também temem que a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que investiga o suposto esquema de corrupção, tenha mais desdobramentos e envolve mais políticos antes do recesso. Assinaram o pedido de autoconvocação os deputados distritais Erika Kokay (PT), Paulo Tadeu (PT), Chico Leite (PT), Cabo Patrício (PT), José Antônio Reguffe (PDT), Milton Barbosa (PSDB), Jaqueline Roriz (PMN) e Rogério Ulysses (PSB), este último também mencionado no inquérito do STJ.
Terça-feira, Arruda reuniu deputados aliados em um almoço e deu orientações de como deve ser a tramitação dos processos de impeachment que tramitam contra ele na Casa. Os nomes dos deputados presentes no almoço foi mantido em sigilo. Arruda pediu aos deputados para que aprovassem logo o orçamento do próximo ano para que o recesso pudesse ter início.
Expulsão
A análise, por parte do Democratas, do processo de expulsão contra o presidente licenciado da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, flagrado em vídeo guardando dinheiro nas meias no suposto esquema de corrupção local, só deve ocorrer depois do dia 10 de janeiro. Segundo o secretário-geral do DEM-DF, Flávio Cury, o partido fez uma consulta aos 21 integrantes da executiva local e decidiu adiar o julgamento para evitar o baixo quorum.
Cury defende que a expulsão seja votada por pelo menos 18 membros da direção do partido. Cury disse, no entanto, que o prazo de defesa do deputado foi mantido. Prudente foi notificado terça-feira da abertura do processo e tem até o dia 23 para apresentar suas justificativas. O relator do caso, ex-senador Lindberg Cury, tem cinco dias para apresentar um parecer.






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