Policiais civis optaram por desobedecer determinação judicial e rechaçaram proposta do GDF de montar comissão para articular projeto com o governo federal
Os policiais civis do Distrito Federal ignoraram a determinação judicial e decidiram manter a greve que já dura 14 dias. A categoria se reuniu ontem, em Águas Claras, a fim de votar a proposta feita pelo governo de montar uma comissão especial para estudar os impactos do reajuste de 28,57% e articular o projeto com o Palácio do Planalto. A resposta negativa da classe ocorreu ao mesmo tempo em que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) mantinha a liminar impetrada pelo Ministério Público (MPDFT) que recomendava a volta imediata dos grevistas ao trabalho.
De acordo com cálculos oficiais, as melhorias reivindicadas pelos policiais — que pressionam para aumentar o salário médio dos policiais civis de R$ 11 mil para R$ 16 mil e dos delegados de R$ 19 mil para R$ 22 mil (veja quadro) — custarão R$ 473 milhões a mais nos recursos do Fundo Constitucional.
Uma nova assembleia está marcada para amanhã, às 15h, no estacionamento número 6 do Parque da Cidade. Os policiais continuam de braços cruzados por tempo indeterminado. A reunião de ontem contou com a participação de cerca de mil pessoas. O movimento foi engrossado pelo Sindicato dos Policiais Federais (Sindipol) e por alguns delegados da Polícia Civil do DF.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF), Wellington Luiz de Souza, distribuiu cópias do ofício (número 218/09) assinado pelo governador José Roberto Arruda. O documento continha o compromisso do Executivo local de criar uma equipe de trabalho coordenada pelo vice-governador, Paulo Octávio, para acompanhar e avaliar o andamento da questão no governo federal. Tão logo a comissão encontrasse as condições para viabilizar a reivindicação dos grevistas, o governo do DF enviaria a mensagem de sugestão de reestruturação das carreiras de delegado e policial civil.
Não à proposta
A categoria optou em dizer não à proposta do governo e votar pela continuidade do movimento grevista, iniciado no dia 4. A votação foi confusa. Em cima do trio elétrico estacionado a 500 metros da entrada da residência oficial do governador, em Águas Claras, Wellington precisou dividir em lados opostos os policiais que tinham opiniões contrárias, pois a iniciativa de levantarem a mão aqueles que aceitavam a proposta do governo ficou confusa. Venceu o lado esquerdo dele, onde estavam os filiados que recusaram o acordo. “Eu sou um representante de vocês. O que decidirem, eu acato”, assegurou o sindicalista.
Após a assembleia, Wellington se reuniu com o corpo jurídico do Sinpol-DF para avaliar as consequências da determinação do TJDFT, que mandou a categoria suspender a greve. O sindicato tinha apelado ontem da decisão judicial deferida, na terça-feira, pela desembargadora Sandra De Santis. Mas novamente foi derrotado. Desta vez, pelo desembargador Flávio Rostirola, da 1ª Vara Cível do TJDFT, que negou o pedido de reconsideração feito pela entidade classista e manteve a decisão que suspendia a greve imediatamente. Como punição pela desobediência, o Sinpol-DF está sujeito a multa diária de R$ 15 mil.






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