Em novos depoimentos no processo que investiga o mensalão do DEM no Distrito Federal, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa complicou ainda mais a situação do governador José Roberto Arruda (ex-DEM) e do vice Paulo Octávio (DEM). Ele disse ter repassado a Arruda cerca de R$ 3 milhões de propina recolhida de empresas que prestam serviços de informática ao governo.
Durval também afirmou ter entregue R$ 200 mil a Paulo Octávio. O governador e o vice negam as acusações.
Durval disse ter coletado o dinheiro destinado a Arruda na garagem do Palácio do Buriti, sede do governo local. Os pagamentos teriam sido feitos por Gilberto Lucena, dono da Linknet, que tinha R$ 32 milhões a receber do DF. Ele afirmou que guardou as notas no porta-malas de seu carro e que, por ordem do governador, repassou tudo ao ex-secretário de Governo José Humberto Pires, em cédulas escondidas em caixas de papelão.
Ao explicar o funcionamento do esquema, o ex-secretário disse ter sido encarregado pelo governador, entre junho e julho de 2007, de unificar a arrecadação de propina no setor de informática em todas as secretarias do DF: “Arruda afirmou que tinha muitos compromissos financeiros e precisava de alguém que fosse leal a ele para fazer a prestação de contas”.
Governador queria R$ 4 milhões, diz Durval De acordo com o depoimento, Arruda teria feito planos de receber R$ 4 milhões das empresas, mas Durval o convenceu de baixar o valor da propina: “O declarante ponderou ao governador que a pretensão de receber uma propina de R$ 4 milhões de um montante de R$ 57 milhões reais por serviços de informática prestados ao governo era extorsivo”.
O depoimento acrescenta que, após ouvir as ponderações, “Arruda aceitou receber somente R$ 3 milhões”.
Pela primeira vez, Durval afirmou ter entregue dinheiro pessoalmente a Paulo Octávio, que vem recebendo proteção do DEM e pode herdar o governo do DF em caso de impeachment ou renúncia de Arruda.
O ex-secretário disse que repassou a propina “um pouco superior a R$ 200 mil” numa suíte do Hotel Kubitschek Plaza, um dos diversos empreendimentos do vice-governador em Brasília.
Segundo Durval, o dinheiro foi recolhido da empresária Cristina Boner, dona do grupo TBA de informática, e repassado há cerca de um ano e meio.
Ele disse ter sido a única vez em que entregou dinheiro pessoalmente a Paulo Octávio. Nas outras, a propina seria repassada a seu assessor Marcelo Carvalho, flagrado em vídeos do inquérito recebendo dinheiro no gabinete de Durval.
Os novos depoimentos foram prestados ao Ministério Público Federal em São Paulo, entre os dias 2 e 9 deste mês.
O material está no quarto volume do inquérito da Operação Caixa de Pandora, que chegou esta semana ao STJ e foi reproduzido ontem pelo portal “iG”.
Em nota, o advogado do governador, José Gerardo Grossi, disse que ele “repele com veemência as acusações feitas por um indivíduo que já responde na Justiça a 32 processos” e chamou as acusações de “infundadas, irresponsáveis e caluniosas”.
A assessoria de Paulo Octávio disse que ele nega as acusações. Seu advogado, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, não foi localizado.






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