Jailton de Carvalho, Luiza Damé, Ailton de Freitas e Fernanda Krakovics
BRASÍLIA – Sem apoio para um governo de coalizão, o governador interino do Distrito Federal (DF), Paulo Octávio (DEM), deverá anunciar em instantes o seu destino político. De acordo com o Blog do Noblat, o governador interino ligou para José Agripino Maia, líder do DEM no Senado e avisou que divulgará ainda esta tarde sua carta de renúncia ao governo.
Mais cedo, porém, o secretário de Comunicação do Distrito Federal (DF), André Duda, negou que Paulo Octávio vá renunciar ainda hoje, como foi especulado durante toda a manhã em Brasília.
– Não tem renúncia – disse o secretário do governo.
No fim da manhã, após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sem conseguir apoio político, o próprio Paulo Octavio chegou a dizer a um interlocutor que iria renunciar ao cargo e que a carta de renúncia estaria pronta. Ele teria dito ainda que não tem mais condições políticas de permanecer à frente do governo do Distrito Federal.
– A decisão dele é de renunciar. Não passa de hoje – disse no fim da manhã o colaborador que conversou com o governador em exercício.
A negativa do secretário Andre Duda veio horas depois.
Uma semana como governador
Paulo Octávio, que também é alvo das investigações do mensalão do dem , assumiu o governo do DF no último dia 11, após a prisão de Arruda, acusado de tentar subornar uma testemunha do suposto esquema de corrupção. O governador afastado deve ficar pelo menos mais uma semana na prisão.
Para Lula, renúncia é questão de foro íntimo
A reunião com o presidente Lula, que começou por volta de 9h40m, durou menos de uma hora. Durante o encontro, Lula disse que manterá “uma postura estritamente institucional” em relação à crise que atinge o Distrito Federal e que não emitirá opinião.
Segundo o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que também participou da reunião, Paulo Octávio disse a Lula que estava avaliando a possibilidade de renunciar ao cargo, mas o presidente respondeu que “essa é uma questão do foro íntimo”.
– O presidente disse que não emitiria nenhuma opinião nem faria qualquer interferência, qualquer gestão sobre o tema enquanto não houver uma decisão da Justiça. Esse é um tema que está na Justiça, cabe à Suprema Corte (STF) tomar uma decisão sobre os próximos passos sob o ponto de vista da gestão e da administração do GDF – afirmou Padilha, em entrevista após o encontro.
Ainda durante o encontro, Paulo Octávio entregou uma carta a Lula em que agradece o apoio pessoal do presidente e do governo “fundamentais para que esta unidade federativa pudesse alcançar algumas conquistas importantes nos últimos anos”.
“Só me cabe um papel nesta crise: quero ser um facilitador. Tenho claro para mim que minha interinidade não será avaliada pela história em termos de dias, mas antes de tudo meu único legado possível nesta quadra delicada terá sido contribuir para a superação dos impasses”, diz um trecho da carta.
Líder do DEM aconselha Paulo Octávio a renunciar
Na véspera, Agripino aconselhou Paulo Octávio a renunciar ao cargo. Buscando sustentação política, o governador em exercício pediu uma conversa com o senador.
– Eu disse para ele renunciar. Ninguém é capaz de dissociar a figura do governador da do vice – afirmou Agripino.
Se Paulo Octávio renunciar, o presidente da Câmara Distrital, Wilson Lima (PR), assumiria o cargo. Ele é aliado do governador afastado Arruda e admitiu, no fim de semana, que indicou várias pessoas para ocupar cargos de confiança no governo do DF.
Câmara do DF aprova pedido de impeachment de Arruda
Também nesta quinta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou a admissibilidade dos pedidos de impeachment de Arruda. A aprovação na CCJ é o primeiro passo para o andamento dos processos por crime de responsabilidade contra o governador afastado. Agora, uma comissão analisará as acusações contra o governador.
O trabalho da comissão poderá durar até dois meses, mas não tem poder para abrir o processo de impeachment. A decisão cabe ao plenário, onde são necessários votos de pelo menos 16 dos 24 deputados. A votação em plenário seria a data-limite para Arruda renunciar a tempo de arquivar o processo.






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