Acordos do governo em relação ao funcionalismo serão confirmados apenas se a arrecadação não despencar. O que é cada vez mais difícil com a crise
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o governo ainda não tomou uma decisão sobre a preservação dos reajustes salariais do funcionalismo e a contratação de novos servidores públicos federais neste ano. Depois de anunciar um bloqueio “preventivo” de R$ 37,2 bilhões no Orçamento da União, Bernardo ressaltou que os acordos firmados pelo governo só serão cumpridos se não houver uma queda acentuada da arrecadação tributária neste ano. Em seguida, ele deixou claro que o cenário não é dos mais animadores, já que a tendência seria de diminuição na coleta de impostos e contribuições pelo Fisco devido aos impactos da crise na economia brasileira. “Temos certeza de que teremos uma receita bem menor do que a projetada na lei orçamentária atual”, avisou Bernardo. Em dezembro passado, o Correio revelou que o governo incluiu em uma das medidas provisórias baixadas para aumentar os salários dos servidores, a MP 441, artigo condicionando o reajuste à manutenção do nível das receitas. Agiu assim por precaução, ciente da possibilidade de a “marolinha” sangrar os cofres da União. Foi por conta dessa regra que o relator da lei orçamentária, senador Delcídio Amaral (PT-MS), decidiu não cortar as despesas previstas para pessoal, de cerca de R$ 169 bilhões em 2009. O petista não quis jogar nas costas dos colegas um desgaste político que o próprio Planalto resolveu assumir como de sua responsabilidade. O superpacote de reajustes autorizado no ano passado beneficiou cerca de 1,8 milhão de servidores. Entre ativos, inativos, civis e militares, isso equivale a quase todo o Executivo federal. Agressiva e abrangente, a política de recomposição salarial mexeu na estrutura das carreiras, criou ou modernizou ferramentas de ascensão e avaliação e, claro, turbinou contracheques – muitos até acima dos 100%. Os custos financeiros são escalonados, com efeitos integrais em 2010 e 2011. Neste ano, porém, a conta já é salgada: somando as três medidas provisórias que compõem o pacote, o impacto será de R$ 28,4 bilhões. Mobilização Parte do funcionalismo que teve acesso à prévia do contracheque disponível no sistema online de pagamentos da União sabe, há uma semana, que o aumento referente a 2009 foi lançado |
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