Juliana Braga e Ana Carolina Dinardo – Correio Braziliense
Servidores da Justiça se manifestaram em frente ao Palácio do Planalto para reivindicar reestruturação das carreiras e correção de até 56% nos vencimentos . Paralisação pode ter duração indeterminada
Servidores do Poder Judiciário cruzaram os braços, quarta-feira, em mobilização por aumento salarial. O ato, de 48 horas, continuou nesta quinta nos tribunais do Distrito Federal, de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Já em Minas Gerais e no Rio de Janeiro as paralisações de quarta-feira duraram três horas. A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (Fenajufe) cobra do governo a aprovação dos Projetos de Lei 6613/2009 e 6697/2009, que tratam da reestruturação de carreiras da categoria e podem resultar em reajuste de 56%.
Cerca de 150 servidores foram à Praça dos Três Poderes pressionar pela votação dos projetos. A manifestação começou em frente ao STF. Segundo o sindicato, 600 pessoas assinaram a lista de presença. Depois, vestidas de preto, se encaminharam ao Palácio do Planalto, onde fecharam a via na direção Avenida das Nações por 15 minutos. Os trabalhadores se reuniram em assembleia atrás do Supremo Tribunal Federal (STF) para votar indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 21.
O último reajuste da categoria foi dado em 2006. A presidente usa medidas protelatórias para não colocar o aumento em pauta, afirmou o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal (Sindjus), Jaílton Assis. Os sindicalistas também reclamam da atuação dos presidentes que passaram pelo STF, mas não conseguiram negociar a votação dos PLs. “Já passaram três presidentes desde que o projeto foi apresentado e até hoje nada, criticou Assis. O STF garantiu que aceleraria as negociações com a categoria, mas o PL 6613 nem sequer entrou na pauta da Comissão de Finanças e Tributação”, complementou Sheila Tinoco, coordenadora do Sindjus.
Apesar da mobilização, o governo, por enquanto, não deu sinal de que o pleito do Judiciário será atendido. Na última segunda-feira, em audiência na Câmara, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que é muito cedo para fazer qualquer comentário sobre uma definição cujo prazo é agosto, referindo-se À data-limite para definição do orçamento. Nos cálculos do governo, a aprovação dos PLs resultaria em um impacto de R$ 7,7 bilhões nos cofres públicos.
(Colaborou Gustavo Henrique Braga)






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