MÁRCIO FALCÃO
O presidente interino da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Cabo Patrício (PT), cancelou ontem quarta-feira (27), a eleição para a presidência da Casa e determinou que a escolha do novo chefe do Legislativo ocorra no dia 2 de fevereiro.
O petista afirmou que a decisão era de “foro íntimo”. Ela foi anunciada após uma hora de sessão e de um embate entre governo e oposição sobre a influência do governador José Roberto Arruda (sem partido) na eleição.
Cabo Patrício iniciou a sessão levantando a suspeita, com base em informações de um blog, de que Arruda estaria oferecendo R$ 4 milhões para que os aliados enterrassem os três pedidos de impeachment que a Casa analisa contra ele.
O deputado Paulo Tadeu (PT) aproveitou o discurso do colega e colocou a eleição em suspeita, dizendo que Arruda também deveria ter negociado o novo ocupante da presidência.
“Estamos assistindo uma interferência clara do governador Arruda aqui nesse processo de escolha, que inclusive já tem como certo o nome do deputado Wilson Lima [PR]. Não podemos aceitar a articulação que o governador do DF está fazendo ou fez para impor o seu presidente nesta casa”, disse o petista Paulo Tadeu.
O deputado Geraldo Naves (DEM) saiu em defesa do governador e disse que Cabo Patrício demonstrou mais uma vez que age de forma precipitada no comando dos trabalhos.
O petista se irritou e disse que age de acordo com o regimento, e, portanto, marcaria a eleição para dentro do prazo limite de sete dias. Estamos agindo dentro do regimento da Casa e da Lei Orgânica do Distrito Federal […] Está encerrada a sessão e eu convoco a eleição para o dia 2 de fevereiro. É uma decisão de foro intimo”, disse.
Os governistas convocaram uma reunião de emergência e prometem reverter o cancelamento. “A sessão não está encerrada. Não está encerrada e eu falo como líder”, disse o deputado Batista das Cooperativas (PRP).
O adiamento surpreendeu os governistas, que já tinham entrado em consenso para eleger o deputado Wilson Lima (PR) como o substituto do deputado Leonardo Prudente (sem partido), que foi flagrado colocando R$ 50 mil de suposta propina no terno e nas meias.
Prudente estava afastado pela Justiça do cargo e renunciou na segunda-feira, sem apresentar justificativas. Prudente foi pressionado pelos governistas a entregar a presidência para evitar que o controle das investigações ficasse nas mãos de Cabo Patrício.
A eleição de Wilson Lima começou a ser definida na noite de ontem em uma reunião dos governistas que contou com a presença do governador. As negociações para definir o principal cargo da Câmara também envolveram a composição da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), primeira instância a analisar os pedidos de impeachment na Casa, e o controle da CPI da Corrupção, criada para investigar o esquema de arrecadação e pagamento de propina.
A líder do DEM, Eliana Pedrosa, também batalhava pelo cargo mas deve ficar com a presidência da CCJ ou com o controle da CPI. A ideia dos governistas é que, no posto preterido pela deputada, deve ser encaixado o deputado Geraldo Naves (DEM), suplente de Paulo Roriz, secretário de Habitação.
De volta
Na sessão, estavam presentes 22 dos 24 distritais, inclusive, protagonistas da crise que se mantinham longe dos holofotes. Prudente, chegou a Casa cercado de seguranças, mas não apareceu em plenário. A estratégia foi seguida pelos deputados Benício Tavares (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC), que também aparece em imagens com Durval Barbosa, o delator do esquema de corrupção.
Cinco dos oitos suplentes que foram convocados para substituir distritais afastados pela Justiça da tramitação dos processos de impeachment contra Arruda também assistiram a sessão. Roberto Lucena (PMDB), Joe Valle (PSB), Mario Gomes da Nóbrega (DEM), Olair Francisco (PT do B) e Washington Mesquita (DEM), sentaram no lugar de assessores.






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