
Mais uma polêmica crise ronda os bastidores do poder público, porém dessa vez, a segurança da população é ameaçada por uma arma muito mais letal e com um alcance muito além dos olhos humanos, e que possui inclusive, o poder da velocidade máxima – H1N1.
Gripe suína; gripe do porquinho, nova gripe e uma série de outras denominações e apelidos, fazem do influenza um perigoso e invisível inimigo, mas que infelizmente é aliado da insegurança pública e motivado pela incompetência do serviço de saúde e da ausência do Estado.
Um sem número de exemplos pode ser contado em verso e prosa dando conta da trajetória desse vírus mortal e as autoridades ainda não demonstraram seu poder de mobilização e o pronto atendimento a essa demanda de saúde pública.
Aliás, percebemos que a saúde pública vai acabar virando caso de polícia, que não poderá se omitir de adotar as providências legais para as situações de omissão de socorro e falta de atendimento médico adequado com a capacitação de pessoal para atuação em mais essa crise.
Qual é a política do Ministério da Saúde? Não há POLÍTICA PÚBLICA para os casos de epidemia. Tem gente morrendo de dengue e malária até hoje e as autoridades insistem em desviar a atenção culpando a população pela falta de higiene.
Queremos que os governantes deixem de lado as vaidades e os pré-conceitos e comecem uma busca incessante pela saúde pública. Deveremos pelo menos tentar salvar as vidas e percebemos que o engajamento público somente se inicia quando a catástrofe já está instalada e sem controle.
Há duas semanas, a imprensa noticiou a primeira vítima fatal em Brasília e até agora a rotina governamental parece não haver mudado. Quantos mais vão precisar morrer para que se assuma a situação de calamidade pública em mais um caso de segurança nacional?
A única novidade percebida desde que inúmeros casos da maldita gripe foram registrados é que agora os parlamentares desejam um tratamento diferenciado de forma que eles consigam adquirir o medicamento que somente existe na Rede Pública. Agora fiquei envergonhado de dizerem que no Brasil existe democracia.
Pode até ser, em alguns aspectos, menos no campo social. Qual o privilégio para esses que sempre dão um jeitinho, inclusive com os atos secretos, de conseguirem se dar bem? Se eles podem eu também posso, ou será que somente esse ficam doentes e podem ser tratados. Dessa vez, foram longe demais.
Garanto que se estivesse no parlamento, iria propor uma Lei que obrigasse os políticos e seus familiares a estudarem em escolas da rede oficial e somente se utilizarem dos serviços públicos de saúde. Tenho certeza que desse modo o nível e a qualidade do atendimento iria melhorar, não por nossa causa, mas por causa deles.
Em efeito cascata, com a exigência dos melhores serviços, deveriam melhorar a qualidade do ensino com reforma, tanto nas instalações e equipamentos como na capacitação dos profissionais. Da mesma forma, o sistema de saúde iria melhorar consideravelmente.
Para ilustrar melhor o assunto, ofereço meu próprio exemplo, pois sofri na pele a atual e nova gripe. Meu filho foi contaminado, provavelmente na escola, pois cursa o 2º grau no colégio Maxwell e teve contato com vários alunos inclusive uma que recentemente esteve na Disney.
Sentindo-se mal numa quinta a noite, na manhã de sexta, por volta das 08 horas, chegou ao Hospital Santa Luzia e por estar com os sintomas da Suína, ficou o dia inteiro isolado, tomando soro, sem ser alimentado no horário normal e sem tomar o medicamento “Tamiflu” de imediato, pois sendo apenas disponibilizado pela rede pública, primeiramente tiveram que superar os entraves burocráticos para ser medicado às 08 da noite.
Doze horas se passaram sem o medicamento da gripe, sendo que pelo surto, centenas de pessoas já morreram. Mortos inclusive pelo descaso, pois diga-se de passagem, o primeiro morto em Brasília havia passado por hospital público, liberado e depois de passar um enorme tempo, nada mais pode ser feito.
Medicado apenas baseado pelos sintomas, pois o hospital se negou a fazer o exame próprio, chegou em casa e nada mais foi feito nem tampouco falado, pelo hospital que prestou o atendimento, muito menos pelo controle sanitário do Estado.
Onde está o Secretário de Saúde que não determina um acompanhamento dos casos suspeitos e principalmente dos confirmados? Está provado que o Estado é ausente e o poder público incompetente, é sim o maior responsável pelo alastramento dessa e de qualquer doença.
Se nosso sistema de saúde fosse sério, teríamos recebido uma visita de algum agente de saúde para examinar o paciente que continua isolado do mundo preso em sua própria casa, além de por obrigação da ética médica, aqueles que o atenderam poderiam querer saber se estava melhorando e mais, deveriam saber se outros da casa ou da vizinhança se contaminaram.
Esse sistema público que continua ainda apenas se preocupando com os interesses particulares, deve modificar sua forma de atuação, sob pena de permitir ainda mais a proliferação de doenças como essa que causa dor e morte. Não pensem que vai passar. Não vai, pelo contrário, a tendência é piorar cada vez mais com o conseqüente aumento do número de contaminados. Estamos atentos e fiscalizando como pudermos mais esse caso de insegurança pública.
(*) Cláudio Avelar é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, bacharel em Direito e Administração, especialista em Direito Público. www.claudioavelar.com.br






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