Num dos mais longos vídeos gravados pelo então secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, o empresário Gilberto Lucena, dono da empresa de informática Linknet, reclama das propinas cobradas pelo governo. Na conversa, ele e Durval dizem que entre os beneficiados dos pagamentos estariam o vice-governador Paulo Octávio e o secretário de Planejamento, Ricardo Pena.
A Linknet, uma das empresas acusadas de operar o esquema, tem contrato de R$ 223 milhões para serviço de processamento de dados do GDF. Na conversa, Lucena, irritado, reclama do apetite com que Paulo Octávio e o governador José Roberto Arruda estariam se lançando sobre os ganhos de sua empresa.
— É duro mais do que 4%, 5%! Me ajuda nisso aí! — reclama Gilberto Lucena, pedindo que Durval intervenha na negociação para reduzir a propina cobrada de sua empresa.
— Não posso fazer nada. O Arruda quem mandou — responde Durval, deixando claro que o governador é o chefe do esquema. (A íntegra do diálogo está no quadro ao lado).
Como no mensalão petista, apareceu também um personagem que guarda dinheiro na cueca. Desta vez foi o empresário Alci Colaço, dono do jornal “Tribuna do Brasil”, de Brasília.
Ele entra no gabinete de Durval, recebe os maços de dinheiro e começa a enfiá-los no cós da apertada calça jeans, pela frente e por trás, conforme mostra outro vídeo divulgado ontem
Investigações desde o governo Roriz
Com contratos em vários estados, a Linknet vem sendo investigada por corrupção desde o governo Joaquim Roriz. É um dos alvos da Operação Aquarela, da PF, que investiga outras denúncias de pagamento de propinas durante a campanha de Roriz.
Mesmo com a investigação em curso, a Linknet ganhou a licitação — que teve vários pontos contestados pelo Tribunal de Contas do DF — para prestar serviços por 36 meses. Pela planilha detalhada por Lucena na conversa gravada por Durval, a propina paga ao esquema era de 1% do contrato.
Além de Paulo Octávio, Lucena diz que pagava 1% para o corregedorgeral do GDF, Roberto Giffoni.
— O Paulo Octávio está cobrando! (…) Tá dizendo: “Ah! Não vai pagar primeiro para mim, não?” — diz Durval Barbosa.
O dono da Linknet diz que uma parte já foi paga, pois teve de adiantar dinheiro para o secretário de Planejamento, Ricardo Pena.
— Deu R$ 300 mil pro Ricardo? Não, foi R$ 200 e poucos… — diz Durval Barbosa.
Lucena explica que, nesses pagamentos, estava descontando o imposto e reclama muito de atraso nos repasses e das despesas que está tendo com pagamento de juros nos bancos.
Em toda a conversa, o autor dos grampos insiste para que o empresário repita os pagamentos já feitos. Em outro trecho, Durval ironiza e lembra que Arruda é amigo de Lucena: — É o Arruda… teu amigo!.
— Ele não é amigo meu não! É amigo do capeta! Do capeta! Não tenho amizade com esse tipo de gente…
— responde, rispidamente.
Quando Lucena diz que vai descontar dos pagamentos um adiantamento feito ao secretário Ricardo Pena, Durval diz que ficará difícil.
— Então avisa isso lá, porque o Pena só assina se pagar para ele adiantado! Foi assim da vez passada e foi desse jeito agora! Eu vou descontar, mas é lógico que eu vou descontar! — diz Lucena, exaltado.
— E eu vou descontar isso de quem? Vou descontar do Paulo Octávio … — disse Durval.
Durval pede então que o empresário faça prestação de contas.
— Vou fazer! Posso fazer! Olha, o Paulo Octávio tem quantos por cento disso aqui? — pergunta Lucena.
— Tem 30% — confirma Durval.






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