A OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil – sessão do Distrito Federal) decidirá na próxima quinta-feira (3/12) se entra com pedido de impeachment contra o governador José Roberto Arruda (DEM), acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de desvio de recursos públicos para enriquecimento pessoal e pagamento de parlamentares no DF.
Em reunião com o Conselho Federal da entidade, a presidente da OAB-DF, Estefânia Viveiros, recebeu apoio para dar prosseguimento à análise do caso. Segundo o presidente nacional da Ordem, Cezar Britto, as imagens “estarrecedoras” (veja vídeo no fim da página) do governador e outras autoridades recebendo maços de dinheiro exigem uma reação forte. “Estamos todos decepcionados com as imagens que vimos. É preciso tomarmos providências enérgicas para que os políticos deixem de ver a coisa pública como se privada fosse”, disse.
Os 45 conselheiros da seccional votarão o pedido na próxima quinta. Em caso de aprovação, a proposta de impeachment será encaminhada à Câmara Distrital, que é presidida por um dos investigados —o deputado Leonardo Prudente (DEM) foi flagrado escondendo maços de dinheiro nas meias.
Independentemente do resultado dessa audiência, no domingo (5/12), o pleno da OAB nacional também analisará o caso, por decisão de Britto, que considera que os fatos revelados pela operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, têm repercussão em todo o país.
A operação
Deflagrada na última sexta-feira (27/11), por ordem do ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a operação executou mandados de busca no Palácio do Piratini, sede do Governo do DF, além de gabinetes de secretários e deputados distritais. Foram apreendidos computadores, equipamentos eletrônicos, documentos, além de R$ 700 mil, US$ 30 mil dólares e 5.000 euros.
As diligências buscaram novas provas de um esquema que já está sendo chamado de “Mensalão do DEM”. Segundo o inquérito, empresas de informática com contratos com o Governo repassaram pelo menos R$ 700 mil ao esquema, operado pelo secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, responsável por distribuir o dinheiro para parlamentares e até para o próprio Arruda.
Barbosa fez acordo de delação premiada com a Justiça e o Ministério Público, e com autorização judicial passou a trabalhar com escutas para flagrar os integrantes do esquema.
Em nota, Arruda e seu vice, Paulo Otávio, também dos Democratas, alegam ser vítimas de uma armação arquitetada por rivais políticos e rejeitam a possibilidade de renúncia.
Seu advogado, José Gerardo Grossi, afirmou que o dinheiro recebido por Arruda foi destinado à compra de panetones para pessoas carentes.






Comments are closed.