Depoimento de delegado na CPI das Escutas isola ainda mais Protógenes
O ex-diretor de Inteligência da polícia federal Renato Porciúncula negou ontem em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara participação na Operação Satigraha, da polícia federal. Apesar de ser um dos superiores do delegado Protógenes Queiroz durante o período em que comandou as investigações, Porciúncula disse que o policial tinha autonomia para conduzir sozinho a operação, sem a sua interferência.
– Não existe vínculo técnico com a chefia. O que existe é um vínculo administrativo. Muitos dos atos praticados pela autoridade policial no decorrer da investigação não passa pelo crivo da chefia administrativa – explicou. Embora tenha negado ter conhecimento da Satiagraha, Porciúncula admitiu que procurou o ex-agente do Serviço Nacional de Informações Francisco Ambrósio em março deste ano para investigar a acusação de que ele seria responsável por grampos clandestinos nos Três Poderes.
Porciúncula disse que procurou o ex-agente a pedido de Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Abin – de quem o delegado foi assessor direto na agência depois de deixar a polícia federal. Além de Porciúncula, o delegado disse que participaram do encontro Milton Campana e Paulo Maurício Fortunato, ex-diretores da Abin. Os dois foram afastados da agência junto com Lacerda depois de suspeitas da participação irregular de homens da Abin na Operação Satiagraha.
O delegado disse que, na conversa com Ambrósio, percebeu que o ex-agente não tinha nenhum envolvimento com grampos clandestinos – apenas auxiliou Protógenes durante a Satiagraha em trabalhos administrativos.
– Era alguém humilde e muito tranquilo. Fiz uma ou duas perguntas para ele. Ele levou até um susto quando disse que estava sendo apontado como responsável pelos grampos. Aí ele disse que foi apresentado por um amigo comum em uma operação conduzida pelo delegado – contou o delegado.
Porciúncula revelou ainda que “assombrou” o ex-agente ao afirmar que ele estava sendo apontado como responsável por vários grampos nos Três Poderes. O delegado disse que apenas recomendou ao agente que prestasse depoimento à polícia federal sobre sua participação na Satiagraha – uma vez que, na época do encontro, a PF já investigava suspeitas de irregularidades cometidas por Protógenes nas investigações.
O delegado também negou, em depoimento à CPI, ter algum conhecimento da participação da Abin na Operação Satiagraha. – Eu não sei quem participou da Abin nessa operação, ninguém me reportou nada – afirmou. (Com agências)






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