Investigado pela Polícia Federal mineira, deputado destina R$ 100 mil do Orçamento à construção da sede da corporação
O deputado João Magalhães (PMDB-MG) é um político sem rancor de seus algozes. Para 2009, o parlamentar apresentou uma emenda individual de R$ 100 mil destinada à construção da nova sede da Polícia Federal

Peemedebista é acusado de desvio de recursos em MG
Em julho, o Correio revelou que uma escuta ambiental feita com autorização da Justiça flagrara a mulher do deputado, Renata Magalhães, no escritório do lobista João Carlos de Carvalho, tido pela polícia como operador financeiro do esquema. Segundo a PF, a visita de dezembro de 2007 serviu para que Renata buscasse propina para seu marido. O repasse, a principal prova da polícia contra o deputado, corresponde a um adiantamento que o lobista faria ao parlamentar para os prefeitos conseguirem a liberação de recursos federais.
Magalhães é um dos 17 deputados mineiros que destinaram R$ 1,75 milhão em emendas individuais para a obra. Lá, a PF funciona num prédio construído em 1982, atualmente abarrotado de policiais. No início, a polícia tentou inscrever uma emenda de bancada, sem o carimbo da autoria de parlamentares. Contudo, não houve acordo entre os deputados.
Foi aí que, depois, vingou a idéia do deputado Alexandre Silveira (PPS-MG) de destinar emendas individuais. “Acho estranho até o fato de ele (João Magalhães) ter apresentado as emendas. Talvez seja uma tentativa de boa vizinhança”, disse Julio Delgado (PPS), um dos que destinaram recursos (veja quadro nesta página).
Adiamento
João Magalhães ganhou ontem um presente de Natal da Câmara. O corregedor da Casa, Inocêncio Oliveira (PR-PE), prorrogou para fevereiro os trabalhos da comissão de sindicância que decidirá se a Câmara abre processo de perda de mandato contra ele e Ademir Camilo (PDT-MG), também envolvido na operação. A alegação é de que, apesar dos insistentes pedidos, o colegiado não teve acesso ao inquérito sobre os dois no Supremo Tribunal Federal (STF). A não ser que o STF repasse as informações, segundo Inocêncio, o caso ficará para o próximo corregedor. “Não quero arquivar nada”, disse.
João Magalhães nega que tente influenciar a PF com a emenda. “Coloquei para a entidade como colocaria para qualquer outra”, declarou.“Não vejo nenhum ato a favor ou contra a polícia”, avalia. O parlamentar não quis comentar o flagrante captado pela escuta sobre sua mulher. “O caso está sob segredo de Justiça”, limitou-se a dizer, negando envolvimento com os desvios investigados pela PF.
OS AUTORES
As emendas da bancada mineira para reformar a sede da PF em BH
Doou R$ 150 mil
Alexandre Silveira (PPS)
Doaram R$ 100 mil
João Magalhães (PMDB)*, Mauro Lopes (PMDB), Carlos Melles (DEM), Vitor Penido (DEM), José Santana de Vasconcelos (PR)*, Jaime Martins (PR)*, Miguel Corrêa (PT), Odair Cunha (PT), Reginaldo Lopes (PT), Virgílio Guimarães (PT), Fábio Ramalho (PV), José Fernando Aparecido de Oliveira (PV), Custódio Mattos (PSDB) Paulo Abi-Ackel (PSDB), Rodrigo de Castro (PSDB) e Julio Delgado (PSB)
* Parlamentares que foram investigados pela Operação João de Barro






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