
Temos observado o aumento da violência no meio jovem. Triste realidade que atrapalha, ameaça e impede que o menor viva com tranqüilidade, apenas pensando em aprender, estudar e se divertir.
Brigas no meio juvenil sempre ocorreram, até pode se entender como uma disputa pelo poder, aumentada pela testosterona (hormônio masculino) nos rapazes e pelas naturais competições femininas, movidas pela vaidade natural ou itens de beleza, mas os excessos devem ser evitados.
Quando percebemos que a família, que deveria ser a mais forte de todas as instituições, perde o controle da situação e o jovem além de se distanciar, começa a dar sinais evidentes de violência, muito além da tradicional rebeldia juvenil, deve-se parar e pensar para ver o que deu errado, antes que o problema aumente ainda mais e que seja tarde.
Em Brasília a violência juvenil acontece da mesma forma como em outras regiões. As peculiaridades distritais do tipo cidades satélites ou dormitório, apenas modificam pequenos detalhes, mas seguem junto à revolta urbana de outros centros. Gangues e quadrilhas de pixadores, lutadores, arrombadores, drogados ou simplesmente meninos e meninas rebeldes sem causa, que arrumam encrenca para justificar alguma carência afetiva ou familiar.
Recentemente assistimos um encontro de garotos de classe média e alta no parque da cidade que iriam assistir a uma briga sem motivos. É claro que justificativas apareceram das mais variadas e do tamanho da criatividade jovial, mas o certo é que além de não haver uma explicação plausível para a briga, também não se justificava a presença da platéia.
A polícia Militar se antecipou e evitou o pior, pois ninguém sabe como poderia acabar um encontro dessa natureza. De repente algum garoto mais exaltado ou simplesmente no calor da disputa poderia interferir e mais um entrava na briga e mais um e outro e depois poderia haver várias lutas ou até uma briga realmente coletiva como se via no início dos tempos. Não fosse a atuação da PM, o resultado poderia ser muito pior.
O que fazer? Onde foi que eu errei? São perguntas constantes que os pais fazem e repetem, mas nada muda muitas vezes e a resposta cada um vai ter que encontrar, pois cada caso é diferente e não existirá uma fórmula mágica que evite o jovem ansioso por natureza, fugir do problema e se concentrar nos estudos. Porém uma coisa é certa, ociosidade é um problema e a ausência dos pais quase sempre antecipam sérias crises familiares.
O tratamento dispensado às crianças, certamente serão refletidos na adolescência e apesar de não mais requererem tantos cuidados físicos, ainda precisam muito do carinho e atenção dos pais, que muitas vezes não encontram tempo para acompanhar o crescimento dos filhos. Caso se encaixe nesse caso, certamente pode começar a rezar, pois existe grande chance de ter um filho em casa que pode estar sofrendo em silêncio e extravasar nas ruas os desequilíbrios familiares.
Os avanços tecnológicos também contribuem para o distanciamento da família e a Internet, quando é mal utilizada, acaba sendo um tiro certeiro na convivência familiar e na tranqüilidade do lar. Quando o pai assiste TV na sala e o filho no quarto, quando o jovem se tranca e até mesmo se esconde para se conectar a rede ou quando não existir motivo para o diálogo, podem esperar que o problema aparecer é questão de tempo.
É claro que para toda regra existe uma exceção, mas tenho certeza que o leitor está se lembrando de um caso que já ouviu, de um vizinho que não consegue conversar com o filho ou até esteja lendo sua própria história. Tudo bem, pois nem tudo está perdido e sempre há tempo para recomeçar e reconstruir a sua história, basta que se dedique um pouco e tenha muita paciência para quebrar a resistência e as barreiras já construídas.
É fundamental a reposição do diálogo familiar e deixar o comodismo de lado justificando a omissão do pai com frases do tipo: esse menino não tem jeito ou essa garota não tem limites. PARE. O que é isso? É claro que tem jeito, pois até você terá jeito e poderá criar hábitos saudáveis e tolerantes para todos.
Impor limites, criar rotinas, promover elogios, mesmo que pareça que não existam motivos para reconhecimento. Não se preocupe, você vai encontra-los. Não desista jamais, pois se os pais desistirem dos filhos, quem irá prestar socorro. São crianças, muitas vezes mimadas que só querem chamar a atenção e receber algo em troca pelo que acham que estão fazendo.
Os pais devem claro respeitar a privacidade dos filhos, mas em alguns casos devem em prol de um futuro melhor, invadi-la e vistoriar as bolsas e mochilas, assim como os cadernos e armários. O pai não deve dar tudo o que pedem, mas também não pode apenas negar. Deve criar sistemas de recompensa e incentivo, para que o filho encontre motivos para melhorar sua participação nas tarefas familiares e na convivência social.
Esporte, saúde, lazer, juntamente com uma alimentação saudável, auxiliam em muito na vida escolar e na integração social, mas sabemos que nem sempre a situação financeira permite, porém um beijo e um abraço não custam nada e dedicação deve ser um compromisso de quem se propôs a ter um filho. É possível, mesmo que o dinheiro esteja curto, encontrar um tempo para um bom papo, uma pescaria no lago ou um bate-bola. No caso das meninas, que tal uma aula de maquiagem ou até quem sabe inverter os papéis e aprender uma nova técnica de se embelezar de acordo com as novas tendências.
O que não se admite é que se combata violência com mais violência e que se esqueçam que o jovem pode apenas estar perdido precisando de alguém que lhe oriente, mas saiba que enquanto o diálogo em casa está difícil, tem um monte de gente na rua dando conselhos e idéias para o seu filho, que podem ser a princípio interessantes, mas que depois podem se refletir em tragédias, crimes, prostituição ou vícios, sendo que muitas vezes vê-se todas essas coisas se amontoando e aparecendo ao mesmo tempo.
Assisti várias palestras sobre educação juvenil e adolescência e em uma delas aprendi uma resposta que é fantástica, apesar de meu filho não suporta-la. Quando a situação exigir que negue algo a seu filho e ele insistir e perguntar por que não, diga: não, porque sou seu pai, você é meu filho e te amo muito, portanto digo não para o seu bem. A princípio o garoto ou a menina vai odiar essa frase e pode até não querer ouvi-la nunca mais, porém no fundo guardará a informação e irá valorizar a preocupação dos pais.
(*) Luís Cláudio Avelar é presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF






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