Procuradores reagem contra decisão do STF que concede aos advogados o direito de conhecerem o teor das acusações feitas aos seus clientes. Autora da proposta, OAB defende a medida Mirella D’Elia e Ricardo Brito Da equipe do Correio
Bigonha: “Vemos com perplexidade essa criação, uma investigação sob sigilo, mas do conhecimento da defesa. são ideias incompatíveis” A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permitirá a advogados ter acesso a inquéritos contra seus clientes – mesmo sigilosos – não foi bem recebida por representantes do Ministério Público (MP) e por policiais, responsáveis pelas investigações. Entidades de classe ligadas ao MP decidiram unir esforços para questionar a súmula, aprovada na última segunda-feira a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E, enquanto a cúpula da Polícia Federal (PF) ainda silencia sobre a polêmica, delegados não pouparam críticas à iniciativa. Presidente da Conamp, José Carlos Cosenzo lembrou que os advogados que não conseguirem ter acesso às informações vão poder entrar com reclamações diretamente no Supremo, sem necessidade de percorrer instâncias inferiores. Isso, para ele, vai acabar contribuindo para congestionar ainda mais a Corte. Cada um dos 11 ministros do STF recebe, em média, 10 mil processos para julgar todos os anos. “Isso vai privilegiar banqueiros e bons advogados. É uma medida inócua para a sociedade, que vai atender aos interesses de réus privilegiados. Enquanto o próprio STF é signatário de um pacto internacional para agilizar a Justiça, a súmula pode permitir mais e mais recursos”, afirmou. Ele também refutou as críticas de que somente clientes ricos e com acesso a bons advogados sairiam ganhando. “A súmula beneficia sobretudo os pobres, que têm a sua defesa dificultada, até porque o Estado não investe em defensorias públicas”, completou Britto. |
“É imoral e ilegal”
Da equipe do Correio
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