Após tentativa frustrada na última semana, distritais têm de escolher hoje o novo chefe do Legislativo. Wilson Lima segue com grande vantagem na disputa
Lilian Tahan
A Câmara Legislativa terá novo presidente a partir de hoje. A menos que haja uma reviravolta imponderável, o próximo comandante do Poder Legislativo no DF será o distrital Wilson Lima (PR). Por força de um acordo trabalhado no seio governista, o primeiro-secretário da Câmara será elevado ao cargo mais importante de uma instituição desgastada por denúncias de corrupção. Ele deverá ter, pelo menos, 15 votos — dois a mais que o mínimo necessário. O candidato do PT, Cabo Patrício, reunirá o grupo de oposição, com cinco apoiadores, o que inviabiliza de uma vez por todas a investida de Eliana Pedrosa para a função.
O prazo regimental para a eleição da Câmara não dá brechas para surpresas. É hoje o limite imposto para a disputa, segundo as normas da Casa, já que se passaram sete dias desde a renúncia de Leonardo Prudente (sem partido) da presidência. Marcada para a tarde, a votação só não ocorrerá caso não haja quorum suficiente — maioria simples de 13 deputados. Mas isso é bastante improvável. Os 24 distritais estão mobilizados para a decisão e devem comparecer, inclusive Prudente, que se mantém afastado dos holofotes desde o início do escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora, que investiga suposto esquema de corrupção do GDF para a base aliada na Câmara.
Na matemática governista, na pior das hipóteses, Wilson Lima terá o mínimo de 13 votos necessários para se eleger. Mas na verdade a base que apoia José Roberto Arruda (sem partido) trabalha com um número mais otimista, que pode contar com os votos até mesmo de Eliana Pedrosa (DEM) e Alírio Neto (PPS). Isso ocorrerá se a distrital retirar candidatura e se somar aos colegas alinhados com a vontade do governador. Na última quinta-feira, vários parlamentares da base se encontraram na casa de Benedito Domingos (PP), em Taguatinga. Lá, eles reafirmaram a disposição em eleger Wilson Lima. Pelo menos dois deputados, Jaqueline Roriz (PMN) e Rogério Ulysses (PSB), ainda são dúvida para a escolha de hoje. Eles cogitam, inclusive, a abstenção.
O que torna a desistência de Eliana Pedrosa provável é o fato de o PT ter confirmado na tarde de ontem a candidatura de Cabo Patrício. A líder da bancada, Érika Kokay, descarta a possibilidade de os integrantes da legenda votarem na democrata desgarrada da base. “É mais fácil eu convencê-la a apoiar no nosso candidato”, disse Érika, desmontando a hipótese levantada na semana passada de que o partido de oposição poderia se colar aos planos de Eliana.
Esse cenário foi desenhado depois que Cabo Patrício remarcou a data para a eleição, que ocorreria na última quarta-feira, situação que enfezou os governistas e alimentou a versão de que se tratava de uma armação para beneficiar a candidatura alternativa. O que não é nenhum absurdo, já que para o PT seria melhor que vingasse um nome fora do eixo controlado diretamente por Arruda. Feitos todos os cálculos que levam à eleição de Wilson Lima, tanto o PT quanto Eliana avaliam que não compensa o desgaste de insistir numa candidatura sem chances de se tornar vitoriosa.
Suplentes
O futuro dos suplentes que atuarão nos processos de impeachment contra Arruda será um dos primeiros abacaxis que o novo presidente da Casa receberá. Cabo Patrício passou a bola adiante. Apesar de ter criado a expectativa nos substitutos ao convocá-los para reunião na tarde de ontem, Patrício resolveu deixar a convocação para seu sucessor. “Até porque depois alguém alegaria que a convocação estava incorreta”, justificou o presidente interino.Parecer elaborado pela Procuradoria da Câmara confirma que os suplentes receberão salários integrais de R$ 12,4 mil durante o tempo de serviço prestado (o que inclui os chamados 14º e 15º), mas a princípio não terão direito a dividir a estrutura com os titulares. Pelo menos até que o novo presidente autorize tal situação. A possibilidade foi cogitada pela procuradoria, que escreveu: “Entende-se que a Mesa Diretora poderá equacionar a situação, disponibilizando parte de sua estrutura interna para apoio dos suplentes”.
DURVAL DESMENTE NAVES
O ex-secretário de Relações Institucionais do GDF Durval Barbosa desmentiu por e-mail a versão do ex-presidente da Codhab José Luiz Naves de que recebeu dinheiro de Durval para abastecer as campanhas de Joaquim Roriz ao Senado e de Maria de Lourdes Abadia ao governo. Naves afirmou ao Correio no sábado que o dinheiro com o qual foi flagrado em vídeo se destinava às duas candidaturas. “Naves chegava ao meu gabinete de posse de um extrato do BRB, demonstrando sua preocupação com uma possível execução de suas dívidas, pois sempre gastou mais do que ganhava. Era coisa de R$ 60 a R$ 70 mil”. Durval fez um desafio: “É só quebrar o sigilo bancário para comprovar”. Veja trechos do documento.
Dois do PPS saem dos cargos no GDF
Ricardo Pires e Antônio Girotto — ambos do PPS — não estão mais à frente do Procon-DF e da Administração Regional do Park Way, respectivamente. A Executiva Regional do Partido Popular Socialista (PPS) tinha dado prazo até a última sexta-feira para os filiados deixarem os cargos ocupados no GDF. Logo após o escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora, em 27 de novembro do ano passado, o diretório regional do partido havia recomendado aos interessados que se licenciassem da legenda para manterem as funções no Executivo local, mas acabou mudando de posição. O PPS não quer mais ser vinculado ao governo de José Roberto Arruda (sem partido).
Apesar de não estarem satisfeitos de deixar o GDF, Ricardo Pires e Antônio Girotto cumpriram a determinação da Executiva Regional. Os dois apresentaram pedidos de férias antes do prazo final dado pela legenda para saírem do governo local. Eles vão usufruir do benefício durante um mês. No fim de fevereiro, voltam às atividades do partido no DF. Os pedidos de desligamento já foram entregues a Arruda.
“Não ultrapasse”
Depois de um ano e dois meses na presidência do Procon-DF, Pires foi substituído pelo diretor de atendimento, Oswaldo Moraes. “Entrei de férias hoje (ontem) mas já entreguei o cargo”, afirmou. Girotto fez o mesmo após três anos como administrador do Park Way. “Não foi uma decisão pessoal, mas sigo as determinações do partido. Na dúvida, não ultrapasse”, comentou.
O diretor da Polícia Civil, Cleber Monteiro, e o administrador do Guará, Joel Alves, ambos filiados ao PPS, ainda permanecem nos cargos.






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