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maio 25

O ELO DO TRÁFICO ENTRE MÉXICO E BRASIL – Estado de S. Paulo

  • 25 de maio de 2010
  • Notícias

Ernesto Plascência San Vicente, distinto empresário mexicano, desembarcou no Rio de Janeiro, em 2006, aparentemente para fazer turismo, mas logo foi para Curitiba, que escolheu para explorar o mercado imobiliário. Trazia na bagagem US$ 30 milhões que investiu no setor – prédios, casas em condomínios fechados, chácaras e também automóveis de luxo.

O império de San Vicente ruiu quando a Polícia Federal descobriu sua identidade de fato, Lúcio Rueda Bustos, e a verdadeira atividade que escondia por trás dos negócios – tráfico internacional de entorpecentes. A PF está convencida de que Bustos é o elo dos cartéis do México com o crime organizado no Brasil. Antes dele, passou por Curitiba um certo Amado Carrillo Fuentes, número 1 do cartel de Juárez..

Bustos foi condenado por lavagem de dinheiro. Pegou 7 anos e meio de prisão em sentença imposta pelo juiz Sérgio Fernando Moro, da 2.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, mas a defesa de Bustos recorreu. A pena foi reduzida pelo Superior Tribunal de Justiça. Agora ele está em regime semiaberto.

A PF concluiu que Bustos ingressou no Brasil com “produto de tráfico de drogas” – a fortuna que empregou em contratos formalmente lícitos com a intenção de ocultar recursos do narcotráfico. Seus bens no Brasil – 20 imóveis e 7 veículos Mercedes, Audi e Toyota – foram confiscados. A PF constatou que o patrimônio do ex-dirigente do cartel de Juárez foi registrado em nome Cíntia Plascência, brasileira, sua mulher. A varredura mostra que Bustos expandiu negócios para o Balneário Camboriú (SC) e Catanduva e São José do Rio Preto, interior de São Paulo.

A internação do dinheiro do tráfico mexicano em território brasileiro pode ter ocorrido a partir de 2001. O rastreamento fiscal de Cíntia revelou que ela era “pessoa de modestos rendimentos e patrimônio”. Sua declaração de 2002 aponta recebimento de “doação” de R$ 500 mil. Em 2003, nova “doação”, no montante de R$ 1,69 milhão. Os repasses foram realizados por Bustos, segundo a PF.

Bustos foi militar do Exército mexicano, mas desertou depois que seu envolvimento com cartéis foi revelado. Ele chegou a ser preso nos EUA por conspiração para o tráfico de drogas. Acabou absolvido com o álibi de que estava agindo como agente infiltrado do Exército – para a Justiça brasileira ele disse que foi aos EUA comprar gado e alegou que seus captores teriam confundido, na interceptação telefônica, gado com droga.

Em Juárez, Bustos associou-se a Amado Carrillo Fuentes, lendário fundador e capo do cartel de Juárez. Fuentes morreu em 1997 após frustrada cirurgia plástica. Ele inspirou o personagem Escorpião no filme Traffic, de Steven Soderbergh, que ganhou o Oscar em 2001. Fuentes entrou no Brasil com o nome de Juan Antônio Arriaga Rangel em 6 de fevereiro de 1997, segundo relatório da DEA, a agência americana de combate às drogas. Depois veio Bustos, ou San Vicente. Policiais civis do Paraná o descobriram. Para se livrar da prisão ele pagou propina. Acabou capturado quando a PF investigava os policiais que corrompeu – os tiras foram condenados. A PF suspeita que outros integrantes do cartel buscaram refúgio no sul do Brasil depois do acirramento da guerra dos narcos nas fronteiras do México.

A defesa de San Vicente rechaça com veemência as acusações. Afirma que ele nunca foi denunciado por qualquer crime no México e que na única vez em que foi processado nos EUA, há mais de 27 anos, o júri o absolveu. Segundo a defesa, a Justiça brasileira, para aponta-lo como traficante, “numa inadmissível revisão de uma decisão firmada por autoridade soberana, afirmou que os jurados americanos foram logrados”. A defesa destaca que na sentença San Vicente foi classificado de primário e de bons antecedentes, “o que contradiz a aventada relação com o Cartel de Juárez”.

Os advogados de San Vicente anotam que “todas as transações financeiras realizadas por ele entre México e Brasil foram feitas por meio do Banco Central, tudo transparente e lícito”.

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