Ministro diz que vazamento deve ter ocorrido na gráfica que imprimiu as provas. Empresa divulga nota negando envolvimento e ainda apresenta uma carta em que o ministério agradece pelo trabalho realizado
A superintendência da Polícia Federal em São Paulo abriu ontem inquérito para apurar o vazamento das provas do Enem, mas ainda não definiu quais serão as linhas da investigação. Dois delegados da área de crimes fazendários vão cuidar do caso, e um dos primeiros passos será ouvir os jornalistas para quem os exames foram oferecidos. O inquérito foi aberto depois de o ministro da Educação, Fernando Haddad, ter conversado com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.
A PF deverá requisitar do jornal O Estado de S. Paulo possíveis fotografias tiradas durante a conversa entre a repórter e duas pessoas que ofereceram as provas em troca de R$ 500 mil. Além disso, deverá verificar os contatos feitos por quem vazou o material. O superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Leandro Daielo Coimbra, recebeu a determinação de Corrêa e determinou a instauração do inquérito no início da tarde.
Haddad afirmou, durante entrevista coletiva realizada ontem no MEC, que a prova do Enem que vazou deve ter saído da gráfica Plural, localizada em São Paulo. Isso porque a versão do exame oferecida ao jornal era a definitiva. “Não há como imprimir uma prova com o padrão do Inep, com o logotipo inclusive, sem ser numa gráfica”, disse Haddad. Ele destacou, entretanto, que todas as imagens gravadas pelas câmeras do Inep serão repassadas às autoridades policiais. “Ninguém consegue entrar no Inep sozinho. Há imagens de quem entra e quem sai.”
Haddad classificou a maneira de agir das pessoas que ofereceram a prova à imprensa como anômala. “Elas estão se expondo de uma maneira que nos levará aos autores do delito rapidamente, acredito. Se contarmos com o apoio da sociedade, poderemos saber em que etapa do processo houve o vazamento dos dados”, disse o ministro. Porém, delegados da PF em São Paulo informaram que a investigação poderá não ser tão fácil ou rápida, como manifestou o ministro.
Em nota, a Gráfica Plural diz que o vazamento não ocorreu nas dependências da empresa. Segundo o comunicado, a área de impressão e acabamento do parque gráfico ficou totalmente isolada durante a confecção das provas do Enem. “Todo mundo que trabalha na impressão das provas assina termo de responsabilidade de sigilo e declaração de não participação no Enem”, destaca o diretor-geral da gráfica, Carlos Jacomine. Segundo Jacomine, a produção das provas demorou 36 dias e foi encerrada em 29 de setembro. O diretor destaca ainda que recebeu do Ministério da Educação uma carta de agradecimento na qual diz que o desempenho da empresa foi excelente.
O Correio teve acesso à carta enviada pelo Ministério da Educação à Gráfica Plural. Ela é assinada pela técnica Maria das Graças Leite e foi enviada em 28 de setembro, ou seja, um dia antes da empresa finalizar os trabalhos.






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