Policiais preparam ofensiva contra órgãos públicos citados nas escutas da Operação Santa Tereza. Carlos Ayres Britto diz que a absolvição de Paulinho não interfere no processo em curso no Supremo
Apesar de concluída a investigação em desvios de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Polícia Federal pretende abrir novas frentes de apuração. Desta vez, os alvos serão órgãos públicos citados durante as escutas telefônicas realizadas pela PF, que prendeu 10 suspeitos de envolvimento nas fraudes na Operação Santa Tereza, desencadeada em abril passado. Elza de Fátima Costa Pereira, mulher do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, foi indiciada por lavagem de dinheiro. Ela teria usado uma organização não-governamental para desviar dinheiro do banco estatal.
Além de Elza, outras cinco pessoas foram indiciadas. Entre elas, um assessor de um deputado federal que teria feito intermediações para liberar recursos do Ministério das Cidades. Segundo relatório do delegado Rodrigo Levin, que presidiu o inquérito da Operação Santa Tereza, o dinheiro não foi liberado, mas o funcionário acabou indiciado por outros motivos. “Não houve comprovação da materialidade das fraudes, mas foi caracterizada a formação de quadrilha”, relata Levin. Por esse motivo, a PF deve continuar a investigar a ligação dos suspeitos com outros órgãos públicos e em liberações feitas pelo BNDES em outras ocasiões.
Para indiciar Elza Pereira, como antecipou o Correio em 13 de outubro passado, a Polícia Federal usou o argumento de que depósitos foram feitos diversas vezes na ONG Meu Guri, presidida pela mulher do deputado. “Há fortes suspeitas no sentido de que a ONG tenha como finalidade real a lavagem de dinheiro proveniente de delitos de natureza variada, praticados por quadrilha que ocupa cargos de chefia na Força Sindical de São Paulo”, aponta o relatório. Em depoimento à PF, Elza negou as acusações, alegando que uma parte dos recursos foi oriunda de transações envolvendo imóveis.
“Combatida a versão da investigada, e comprovada a utilização da ONG no recebimento de dinheiro ilícito, a presidente Elza de Fátima Costa Pereira foi indiciada por lavagem de dinheiro”, acrescenta o delegado. Para a defesa de Elza, outro depósito de R$ 37,5 mil, citado no inquérito policial, foi uma compensação feita por João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho, que havia doado à instituição um apartamento, retomado anos depois. Em seu relatório, o delegado considera curioso outro fato: “A existência de depósitos em dinheiro, de quantias seqüenciais, de R$ 9mil, em algumas épocas, diariamente”, observa Levin.
Diferenças
Ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto afirmou que a absolvição de Paulinho na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados não interfere na investigação em curso no STF. O ministro, que é relator do inquérito contra o deputado, ressaltou que não existe relação direta entre os processos. Ayres Britto não quis comentar detalhes da investigação, por causa do segredo de Justiça, mas lembrou que os processos são diferentes.
No inquérito que tramita no STF, Paulinho é investigado por suposto envolvimento no esquema de desvio de recursos do BNDES. O deputado também vai responder no Supremo por suspeita de fraudes em dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT),






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