
No Rio: jovem é retirado de prédio de classe média alta e levado para a sede regional da PF
Duas operações desbaratam quadrilhas de jovens de classe média que exportavam cocaína e traziam ecstasy e LSD. Em Brasília, principal distribuidor de drogas sintéticas foi detido
Edson Luiz
Da equipe do Correio
Uma megaoperação da Polícia Federal prendeu ontem o principal distribuidor de drogas sintéticas de Brasília: um jovem de classe média, na casa dos 20 anos. Outras 54 pessoas foram detidas em oito estados, principalmente no Rio de Janeiro, onde o esquema envolvendo frequentadores de academias, lutadores e surfistas movimentava em torno de R$ 1 milhão por mês. Os traficantes presos nas Operações Nocaute e Trilha, desencadeadas nas primeiras horas da manhã de ontem, enviavam cocaína para o exterior e traziam ecstasy e LSD para o Brasil. A PF não revelou o nome dos presos, já que a investigação ainda está em andamento e outras 15 detenções devem acontecer nas próximas horas.
“O trabalho começou quando vimos um crescimento nas apreensões nos aeroportos. A partir disso, começamos uma investigação em abril e outra em maio, mas três meses depois descobrimos que os grupos se cruzavam na montagem de malas para viagens e recrutamento de mulas (pessoas que ganham para levar a droga)”, afirmou ao Correio o delegado Victor César Carvalho Santos, chefe da Divisão de Repressão a Entorpecentes da PF no Rio. Segundo ele, a pessoa presa em Brasília seria responsável pela logística da quadrilha na capital federal, inclusive a distribuição da droga.
Os lutadores, geralmente jovens moradores de bairros da Zona Sul do Rio, do Recreio dos Bandeirantes e da Barra da Tijuca, eram as mulas preferidas pelos traficantes. Um dos chefes, cujo nome a PF não revelou, atuava junto com o irmão e tinha uma cobertura na Lagoa, área nobre da capital fluminense. Pela primeira vez, todos os presos fizeram exames de corpo de delito com médicos da própria PF e na própria superintendência no Rio.
Quimonos
Segundo o delegado, a preferência por lutadores se justificava porque eles tinham facilidade de viajar para o exterior para disputar competições. A investigação que gerou a Operação Nocaute mostrou que os quimonos eram engomados com cocaína quando saíam do Brasil. Os destinos normalmente eram França, Portugal, Espanha e Holanda, de onde eram traficados os comprimidos de esctasy e LSD, que vinham escondidos nas golas da vestimenta. “No caso da apuração da Operação Trilha, os primeiros indícios surgiram com informações da polícia francesa”, afirma Carvalho Santos, explicando que a droga era acondicionada em mochilas de praticantes de esportes radicais.






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